Sobre a solidão,
Mas as palavras chegaram em silêncio,
Sentaram-se ao meu lado
E não disseram nada.
Talvez porque a solidão verdadeira
Não pede descrição,
Ela se reconhece
No espaço entre uma frase e outra,
No verso que não se completa.
As palavras,
Cansadas de explicar o indizível,
Preferiram calar.
E nesse silêncio, disseram mais
Do que qualquer metáfora ousaria.
Percebi então
Que há momentos em que escrever
É apenas aceitar
Que o poema não quer nascer em voz alta,
Mas permanecer como ausência,
Eco interno,
Respiração contida.
A solidão não grita.
Ela sussurra tão baixo
Que só quem já ficou sozinho demais
Aprende a escutá-la
No silêncio das palavras.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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