Sim, sou vadio,
Algum vadio de algum tempo estranho,
Um erro de ritmo no compasso do mundo,
Um passo fora da fila que chama isso de atraso.
Vadio porque não corro quando me empurram,
Porque paro onde o resto passa,
Porque ainda escuto o silêncio
Num tempo que só entende barulho.
E que mal tem isso?
Mal seria esquecer o espanto,
Trair a própria lentidão,
Aceitar que viver é apenas cumprir horários.
Sou vadio como quem resiste,
Como quem escolhe existir sem legenda,
Como quem sabe que nem todo caminho
Precisa levar a algum lugar,
Alguns servem apenas para não se perder de si.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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