terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Homenagem ao Colégio Imaculada Conceição - CIC

Em mil novecentos e sete o mundo rangia sob máquinas e impérios, 
O século ainda aprendia a respirar eletricidade e aço. 
No Brasil, a República ensaiava sua ordem frágil, 
Entre vacinas, revoltas silenciadas e promessas de progresso. 
Em Mato Grosso, o tempo caminhava a cavalo e embarcações, 
Terra vasta onde a lei chegava sempre depois do sol. 
Cáceres despertava às margens do Rio Paraguai sereno, 
Porto de vozes, mercadorias e fronteira viva. 
Entre igrejas, armazéns e rumores vindos da água, 
O ano passava discreto, escrevendo história sem saber. 
 
II 
Emilie de Villeneuve ergueu, no silêncio da fé, um chamado, 
Onde a caridade não era gesto, mas caminho encarnado. 
No coração ferido do mundo, viu rostos esquecidos, 
E fez do serviço humilde a resposta aos desvalidos. 
Assim nasceu a Congregação, semente lançada na dor, 
Sob o nome da Imaculada Conceição, pureza e amor. 
Não de muros, mas de mãos abertas foi feita sua missão, 
Unindo oração e ação na mesma devoção. 
Seu legado vive onde há cuidado, ensino e compaixão, 
Como luz persistente guiando gerações na mesma vocação. 
 
III 
Quatro jovens irmãs cruzam o continente em silêncio e fé, 
Trazendo no peito o cansaço e a promessa do porvir; 
Madre Imelda Gastou guia o passo firme da esperança, 
Irmã Saint Laurent Mages carrega a palavra como lâmpada acesa, 
Irmã Denise Marcou recolhe dores alheias no olhar atento, 
Irmã Saint Anselme Pomès guarda o tempo como oração secreta. 
No primeiro dia de janeiro de mil novecentos e sete, 
O sol se abre sobre São Luiz de Cáceres como sinal, 
E a terra vermelha as recebe sem saber seus destinos, 
Pois ali começava um futuro escrito em passos humildes. 
 
IV 
No Cais, o povo cacerense, de mãos abertas e calor humano, 
Acolheu-as como quem reconhece um chamado sublime do céu. 
Entre sorrisos simples e olhares de promessa, seguiram juntas, 
Conduzidas pelas ruas quentes até o limite do quase nada. 
Na Rua Direita — hoje 13 de Junho — erguia-se a casa frágil, 
Pobre de móveis, rica de silêncio e esperança. 
Ali, a precariedade vestiu-se de sentido e devoção, 
E cada prece transformou a escassez em abrigo. 
A casinha tornou-se oásis, fonte de fé e vigília em ação, 
Nasce a Comunidade das Irmãs da Imaculada Conceição. 
 
V 
Em fevereiro do mesmo ano, a semente foi lançada, 
Mãos simples ergueram o sonho no chão da esperança. 
Entre letras primeiras, tintas e fios delicados, 
Nasciam vozes, traços, saberes entrelaçados. 
A alfabetização abria portas ao amanhã, 
A música ensinava o tempo a rezar em som. 
No bordado e na pintura, a paciência florescia, 
Nas artes do lar, o cuidado virava poesia. 
Pequeno em paredes, mas grande em vocação, 
Sob Maria Imaculada, surgia o educandário em oração. 
 
VI 
A Catequese moldava almas com zelo e ternura, 
Na formação humana e cristã, firme era a missão; 
Às portas dos pobres e dos leitos de dor, 
As Irmãs iam primeiro, levando fé e compaixão. 
Os meses iniciais nasceram de luta e sacrifício, 
Dias tecidos em renúncia, oração e suor. 
Pouco a pouco o colégio erguia seus muros, 
Como a cidade, aprendendo a sonhar mais alto. 
E elas, no silêncio do ofício diário, 
Aperfeiçoavam o ensino, servindo com amor o abecedário. 
 
VII 
Em mil novecentos e cinquenta e três lançou a semente, 
Surgiu o Curso Ginasial, farol para a educação nascente. 
Cáceres viu avançar seus sonhos e sua vocação, 
Sob o nome Ginásio Imaculada Conceição. 
Em cinquenta e sete, o Curso Normal se fez caminho, 
Formando gerações até setenta e cinco, com destino e carinho. 
Foi marco firme na história do saber local, 
Mantendo os jovens na cidade, num laço educacional. 
De escola feminina guardou por anos a tradição, 
Até tornar-se mista, em oitenta e nove, ampliando a missão. 
 
VIII 
No limiar dos seus cento e vinte anos de história, 
O Colégio Imaculada Conceição permanece em vigília, 
Guardando a essência que o tempo não apaga, 
Nem as pressas de um mundo cada vez mais fragmentado. 
Entre muros que aprenderam a ensinar, floresce a originalidade, 
Tecida com valores, saber e compromisso diário. 
À comunidade de Cáceres e de toda a região, 
Oferece mais que aulas: entrega formação e sentido. 
Mesmo na complexidade do presente, sustenta a qualidade, 
Fiel à Educação Básica, reconhecida pela Lei e pela vida na sociedade. 
 
IX 
Educação que acolhe, do primeiro brincar ao último exame, 
Abre portas e corações aos que buscam o conhecimento e sabedoria, 
Tecida nos valores cristãos que iluminam cada passo, 
E no carisma de Santa Emilie de Villeneuve, serviço e compaixão. 
Da Educação Infantil ao Ensino Médio, forma-se gente inteira, 
Com saber que inclui, escuta que cura e amor que ensina. 
Cultiva atitudes éticas, morais e cristãs no cotidiano, 
Desperta consciência lúcida para ler o mundo sem o medo soberano. 
Ousada para agir com justiça e crítica para discernir o tempo que avança, 
Preparando educandos a transformar desafios em esperança. 
 
 Tendo como missão ensinar com propósito e cuidado, 
Construir saberes no encontro entre luz e razão, 
Semear conhecimento com rigor e humanidade 
À sombra de valores cristãos no coração da educação com majestade 
Formar consciências livres, justas e sensíveis, 
Onde a ética orienta cada gesto e decisão, 
Respeitar as diferenças como dons indivisíveis, 
Fazendo da diversidade um caminho de união. 
Comprometidos com a cidadania que transforma, 
Educar é servir: é assim que a missão se confirma e se forma. 
 
XI 
No coração de Cáceres ergue-se um farol de saber, 
O Colégio Imaculada Conceição, feito de história e vocação, 
Onde cada sala guarda sementes de futuro, 
E cada passo no pátio ensina a caminhar com sentido. 
Ali, alunos e alunas aprendem mais que letras e números: 
Aprendem o valor do respeito, da escuta e da partilha, 
Forjam caráter entre livros, silêncios e descobertas, 
Unem fé, conhecimento e compromisso com a vida, 
Crescem como cidadãos atentos ao mundo que os cerca, 
E levam consigo a marca de uma formação que permanece. 
 
XII 
No amanhã que desponta, o Colégio Imaculada Conceição florescerá, 
Como jardim de saber, fé e esperança entre gerações. 
Seus corredores guardarão sonhos em marcha, 
E cada sala será semente de luz e responsabilidade. 
Sob o olhar sereno de Santa Emilie de Villeneuve, 
Brotarão coragem, serviço e amor ao próximo. 
Ela abençoará mãos que ensinam e corações que aprendem, 
Tecendo futuro com disciplina e ternura. 
Entre livros e valores, a missão seguirá firme, 
E o tempo reconhecerá a obra viva da educação que transforma. 
 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense 
Cáceres, MT - 03 de fevereiro de 2026 
Aniversário de 119 anos de fundação do CIC 
Lançamento das homenagens aos 120 anos!

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