Mas em ironia.
Um arco invisível se desenha no alto,
Não de luz,
Mas de intenção.
É o sorriso de um gato que não está,
Mas observa.
Não mia, não salta, não cai:
Paira.
Um riso suspenso, debochado,
Como quem sabe algo
E se recusa a explicar.
O céu, então, deixa de ser abrigo
E vira provocação.
Parece dizer que a ordem é uma invenção humana,
Que o acaso tem humor
E que o absurdo sabe rir.
Esse sorriso pintado no nada
Zomba das nossas urgências,
Das previsões do tempo,
Das promessas de amanhã.
Ele permanece, curvo e calmo,
Enquanto tudo embaixo insiste em desmoronar.
Talvez o céu seja isso:
Uma tela onde o invisível ensaia gestos,
E o gato — esse mestre do desprezo elegante,
Nos lembra, sem palavras,
Que nem tudo precisa fazer sentido
Para continuar existindo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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