No ventre escuro da terra roubada,
Ecoam passos que o tempo não calou,
Grilhões ainda rangem na madrugada,
Como um lamento que nunca cessou,
Memória ferida que o vento guardou.
Braços que ergueram um país inteiro,
Sem nunca provar o gosto do pão,
Foram raízes de um chão brasileiro,
Regadas à dor, à força e à opressão,
Durante o longo tempo da escravidão.
Libertos no papel, mas não na vida,
Caminharam sem rumo, sem direção,
A liberdade chegou tardia e ferida,
Sem terra, sem voz, sem reparação,
Como um grito preso na imensidão.
Hoje o passado respira no agora,
Nos rostos marcados pela exclusão,
Mas há uma chama que insiste e aflora,
Na luta, na arte, na poesia de reconstrução,
Um futuro que nasce da resistência em ação.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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