terça-feira, 5 de maio de 2026

O longo tempo da escravidão

No ventre escuro da terra roubada, 
Ecoam passos que o tempo não calou, 
Grilhões ainda rangem na madrugada, 
Como um lamento que nunca cessou, 
Memória ferida que o vento guardou. 
 
Braços que ergueram um país inteiro, 
Sem nunca provar o gosto do pão, 
Foram raízes de um chão brasileiro, 
Regadas à dor, à força e à opressão, 
Durante o longo tempo da escravidão. 
 
Libertos no papel, mas não na vida, 
Caminharam sem rumo, sem direção, 
A liberdade chegou tardia e ferida, 
Sem terra, sem voz, sem reparação, 
Como um grito preso na imensidão. 
 
Hoje o passado respira no agora, 
Nos rostos marcados pela exclusão, 
Mas há uma chama que insiste e aflora, 
Na luta, na arte, na poesia de reconstrução, 
Um futuro que nasce da resistência em ação. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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