A sabedoria não grita, ela sussurra.
Está nas frestas do silêncio,
Nos intervalos entre uma certeza e outra.
Quem a busca precisa desaprender o ruído do mundo,
Pois a ignorância não é ausência de saber,
Mas o excesso de convicções vazias.
Há um perigo sutil em viver sem questionar:
A alma endurece, o olhar empobrece,
A o pensamento passa a repetir, como eco cansado,
As vozes de outros que também nunca ousaram ver.
Buscar sabedoria é um ato de resistência.
É remar contra a corrente das opiniões prontas,
É desconfiar do fácil, do imediato, do confortável.
É aceitar a inquietação como companhia
E a dúvida como ferramenta.
Porque o mundo, muitas vezes,
Seduz pela superficialidade,
Oferece respostas rápidas para perguntas profundas,
E transforma a ignorância em abrigo coletivo.
Mas quem deseja não ser tragado
Precisa aprender a caminhar só,
Ou melhor, a caminhar consigo.
A sabedoria, no fim, não é um destino.
É um estado de vigília permanente,
Um modo de estar no mundo sem ser consumido por ele.
É enxergar além da aparência das coisas
E, ainda assim, manter a humildade de quem sabe
Que há sempre mais a compreender.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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