terça-feira, 5 de maio de 2026

Sabedoria

A sabedoria não grita, ela sussurra. 
Está nas frestas do silêncio, 
Nos intervalos entre uma certeza e outra. 
Quem a busca precisa desaprender o ruído do mundo, 
Pois a ignorância não é ausência de saber, 
Mas o excesso de convicções vazias. 
 
Há um perigo sutil em viver sem questionar: 
A alma endurece, o olhar empobrece, 
A o pensamento passa a repetir, como eco cansado, 
As vozes de outros que também nunca ousaram ver. 
 
Buscar sabedoria é um ato de resistência. 
É remar contra a corrente das opiniões prontas, 
É desconfiar do fácil, do imediato, do confortável. 
É aceitar a inquietação como companhia 
E a dúvida como ferramenta. 
 
Porque o mundo, muitas vezes, 
Seduz pela superficialidade, 
Oferece respostas rápidas para perguntas profundas, 
E transforma a ignorância em abrigo coletivo. 
Mas quem deseja não ser tragado 
Precisa aprender a caminhar só, 
Ou melhor, a caminhar consigo. 
 
A sabedoria, no fim, não é um destino. 
É um estado de vigília permanente, 
Um modo de estar no mundo sem ser consumido por ele. 
É enxergar além da aparência das coisas 
E, ainda assim, manter a humildade de quem sabe 
Que há sempre mais a compreender. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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