quinta-feira, 30 de abril de 2026

O olhar do escritor

 O olhar do escritor não se distrai, 
Ele repousa onde o mundo não para, 
Colhe o silêncio entre os gestos, 
Escuta o que ninguém escutou, 
E vê nascer sentido no nada. 
 
Na esquina esquecida da tarde, 
Há histórias pedindo abrigo, 
Um riso breve guarda segredos, 
Um adeus carrega universos, 
E tudo pulsa além do visível. 
 
Cada cena é um convite oculto, 
Um sussurro vestido de acaso, 
O banal se veste de mistério, 
Quando tocado por olhos atentos, 
Que leem o invisível do instante. 
 
O escritor não espera o extraordinário, 
Ele o inventa no cotidiano, 
Faz da poeira memória viva, 
Da rotina um campo de descobertas, 
E do instante, eternidade breve. 
 
Ele caminha entre mundos sobrepostos, 
Tecendo sentidos no que passa, 
Transformando o efêmero em palavra, 
E a vida, antes dispersa e muda, 
Em poesia que insiste em ficar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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