Ele repousa onde o mundo não para,
Colhe o silêncio entre os gestos,
Escuta o que ninguém escutou,
E vê nascer sentido no nada.
Na esquina esquecida da tarde,
Há histórias pedindo abrigo,
Um riso breve guarda segredos,
Um adeus carrega universos,
E tudo pulsa além do visível.
Cada cena é um convite oculto,
Um sussurro vestido de acaso,
O banal se veste de mistério,
Quando tocado por olhos atentos,
Que leem o invisível do instante.
O escritor não espera o extraordinário,
Ele o inventa no cotidiano,
Faz da poeira memória viva,
Da rotina um campo de descobertas,
E do instante, eternidade breve.
Ele caminha entre mundos sobrepostos,
Tecendo sentidos no que passa,
Transformando o efêmero em palavra,
E a vida, antes dispersa e muda,
Em poesia que insiste em ficar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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