quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ato revolucionário

Ler é revolução. 
Não de fuzis ou bandeiras, 
Mas de olhos que se recusam a ser cativos. 
 
Num tempo em que a televisão dita a verdade, 
E as redes sociais constroem prisões douradas, 
Ler é arrancar as correntes invisíveis. 
 
É fazer silêncio onde só há barulho. 
É abrir clareira na floresta de mentiras. 
É plantar perguntas em solo de certezas fabricadas. 
 
Cada página é um ato de insubmissão, 
Cada palavra é pólvora contra a anestesia, 
Cada leitura é um levante do espírito. 
 
Porque o leitor não consome, recria. 
Não engole, mastiga. 
Não repete, pensa. 
 
E enquanto houver quem leia, 
Não terão vencido as máquinas de ilusão. 
Enquanto houver quem leia, 
Haverá olhos que enxergam além das sombras. 
 
Ler é ato revolucionário, 
E o livro, uma arma secreta 
Guardada no coração do humano 
Contra o império da manipulação. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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