Ler é revolução.
Não de fuzis ou bandeiras,
Mas de olhos que se recusam a ser cativos.
Num tempo em que a televisão dita a verdade,
E as redes sociais constroem prisões douradas,
Ler é arrancar as correntes invisíveis.
É fazer silêncio onde só há barulho.
É abrir clareira na floresta de mentiras.
É plantar perguntas em solo de certezas fabricadas.
Cada página é um ato de insubmissão,
Cada palavra é pólvora contra a anestesia,
Cada leitura é um levante do espírito.
Porque o leitor não consome, recria.
Não engole, mastiga.
Não repete, pensa.
E enquanto houver quem leia,
Não terão vencido as máquinas de ilusão.
Enquanto houver quem leia,
Haverá olhos que enxergam além das sombras.
Ler é ato revolucionário,
E o livro, uma arma secreta
Guardada no coração do humano
Contra o império da manipulação.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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