"O poeta tem uma alma sublime,/ Alma que o impossível quer sonhar;/ Como um pássaro alado/ As mais altas nuvens voar". Poema: Odair José, Poeta Cacerense - Um poeta nascido às margens do Rio Paraguai expressa aqui o seu sentimento de gratidão por ser cacerense. Para todos apreciadores da eterna poesia.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Nas asas do vento
Senti uma brisa suave pela janela entrar
No meu rosto triste ela veio tocar
Abri meus olhos na esperança de alcançar
A meiguice do seu intenso olhar.
Na noite escura da minha solidão
Busquei seu sorriso na imensidão
Queria que fosse o alento do meu coração
Pois você é, do meu viver, a razão.
Nas asas do vento tentei te esquecer
Voei para longe para não mais te ver
Só queria minha vida viver
E deixar em meu peito outro amor nascer.
Seus olhos foram à razão do meu amor
Distante deles sinto imensa dor
O sol já não tem brilho nem calor
E, no meu jardim, morreu essa flor.
Deixo-me voar nas asas desse vento
Para buscar-te no meu pensamento
Tentar ter paz neste momento
Em que tenho você no meu sentimento.
Poema: Odair
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Insensato Coração
Na simplicidade de seus olhos
Vi a beleza da flor
E a fragrância sublime
Em mim, fez nascer o amor.
Como louco fui em sua direção
Na esperança de te abraçar
Desejava tanto por seu carinho
E só queria te amar.
Mas, você era apenas uma miragem,
Que desapareceu no amanhecer
Deixou-me sozinho a caminhar
Na solidão desse viver.
Tenho em mim tristeza e angustia
De uma grande desilusão
Pois, seus olhos foram à escolha errada,
Do meu insensato coração.
Poema: Odair
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Vida
A vida é uma coisa incrível,
Espetacular, para ser mais preciso.
É uma arte moldada pelo maior artista
É um sonho. O mais lindo já sonhado.
Nascemos, crescemos e depois morremos.
Ai o jogo termina.
Para aqueles que acreditam em uma vida posterior,
Possivelmente há uma continuidade.
No entanto, mesmo que haja outra vida,
Ela não é a mesma que temos aqui
Temos uma única oportunidade de viver
Abrimos os olhos e ai tem uma jornada a ser seguida
Uma flor que desabrocha na primavera
E nos mostra um caminho lindo a seguir.
Cada olhar que cruzamos durante o dia
Nos mostra o quanto somos importantes
O quanto à vida é bela.
Vá aos epitáfios e considere essa oportunidade
A saudade estampa cada túmulo de vidas que se foram.
Passamos o dia sem notar uma folha que cai das árvores.
Esquecemo-nos de observar o pôr-do-sol
E não ouvimos o cantar dos pássaros.
Então a vida passa
E quando percebemos, ela se foi.
Os olhos tristes a olhar pela janela
Lembrar que a vida passou em brancas nuvens
E nunca mais voltará.
O que nos espera do outro lado do portal?
Essa vida que tivemos aqui já se foi.
Sou a primavera a despertar em flores
Sou o sol de verão
Sou o amarelar das folhas no outono
E a chuva fina do inverno.
Tenho uma vida dada pelo Criador
E feliz por viver.
Poema: Odair
domingo, 9 de janeiro de 2011
Quero alguém que não passe...
Quero alguém que não passe,
Alguém que não vire as costas no amanhecer
Mas, que permaneça até o entardecer.
Alguém que não passe como as folhas das árvores
Mas, que seja firme como as raízes mais profundas.
Alguém que não se perca
Como as palavras soltas pelos ares
Mas, que permaneça como as gravuras
Nas rochas eternas da memória.
Alguém que possas sorrir nos momentos de alegria
Mas, que enxugue minhas lágrimas quando chorar.
Alguém que, mesmo não sendo um especialista,
Compartilhe comigo os momentos de aprendizado da vida.
Além do horizonte consigo contemplar-te
Com esses olhos que saem do meu coração
Quero alguém que não passe pela minha vida
Mas, que esteja comigo quando dormir
E, ainda, esteja lá quando eu acordar.
Meus sonhos são a busca eterna desse sorriso
Que almejo ver na primavera
Mas, que não se desfaça no inverno.
Quero alguém que não passe quando caído estiver
Mas, que estenda suas mãos e me ajude a caminhar.
Alguém que me aceite com um sorriso
Mesmo sabendo dos meus defeitos e limitações
E entenda o meu amor.
Quero alguém que não passe simplesmente
Mas, que caminhe em direção ao meu coração.
Unicamente quero você.
Poema: Odair
sábado, 8 de janeiro de 2011
Intimidade - A imagem da tristeza
Antes do nada eu estou no mundo
Sou fruto da luta constante daqueles que me desejaram
Choro na escuridão da noite
E a tarde chora a sua ausência
E a chuva faz à tarde tão molhada.
Vivo o sonho dos que não sabem sonhar
Sou a alegria do dia calmo de verão
Choro na madrugada fria da solidão
Por saber que seus olhos já não estão aqui
E para sempre vou te procurar.
O meu íntimo sacoleja na manhã silenciosa
Sou a imagem da tristeza de uma vida vazia
Grito aos quatro cantos do mundo
Escrevo os meus versos tristes
Na esperança de nunca te esquecer.
Nada sou dentro de mim nesta jornada
Sou a desilusão do seu sorriso meigo
Ergo minhas mãos ao rosto para estancar as lágrimas
Silencio a minha dor na aurora da vida
E sorrio no fim de um triste dia.
O medo terrível da solidão se apodera de mim
Na medida em que se aproxima a escuridão da noite
Sei que terei devaneios assustadores
Pois existe um castigo da desilusão
Que açoita a minha consciência de um falso amor.
Escondo minha dor no profundo do meu ser
E danço uma valsa triste no salão do tempo
Espero a neblina cair no chão sólido
E estancar o sentimento do meu coração
Que lembra carinhosamente da sua presença.
Poema: Odair
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Coração Sólido
No mais alto da minha dor
Olhei para o horizonte
E meus olhos não viram
A luz que irradiava.
A dor tremenda
Fazia-me cego
Para a vida
Que, do outro lado, despontava.
Mas, com ternura
E amor,
Guiou-me com braços fortes
Em direção a liberdade.
Não sabia se chorava
Ou sorria,
A vida mostrou-me que poderia
Ser feliz de verdade.
O coração mostrou
Ser feito de material sólido.
Apontou-me o raiar de um novo dia
Cheio de encantos.
As lembranças de hoje
Já não me causam mais confusão.
Sou livre e posso sonhar
Pois, do meu rosto, enxuguei os prantos.
Poema: Odair
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
O Natal de Stone Halls
Aconteceu em uma pequena cidade do Mato Grosso
No final dos anos oitenta
Circulava pela pequena praça da vila
Uma criança que tinha uma vista atenta.
Na noite anterior, véspera de Natal,
Tinha observado as pessoas em festa
Que passava por ele em meio burburinho
Sem saber que em seu estômago nada resta.
Há poucos dias passados sua mãe tinha ido embora
Deixando que ele pudesse sobreviver
Sem a proteção que só uma mãe pode dar
Em um mundo difícil de crescer.
O pai tinha que trabalhar para sustentá-lo
E com ele não podia, naquele dia, estar.
Enquanto as pessoas festejavam
Para ele não sobrava nem um olhar.
O cheiro suave das carnes sendo assada
Em suas narinas chegavam
Deixando sua fome mais apertada
E uma tristeza que seus pensamentos solapavam.
Não sabia por que passava por aquilo
Pois era uma criança que desejava a felicidade
Que tanto propagavam nesses dias
Mas que, para ele, só existia a saudade.
Com os olhos fundos de tristeza
Olhava para as casas cheias de gente
Sentia-se sozinho naquele universo
E sabia que, para eles, era indiferente.
Em sua cabecinha ficava uma inquirição
Que parecia resposta não ter
Por que falavam tanto em espírito natalino
Se ninguém importava com o seu sofrer?
Poema: Odair
sábado, 20 de novembro de 2010
Ser Negro
Quem um dia inventou a história
De que a cor negra era uma maldição
De que foi o castigo imposto a Caim
E o flagelo destinado a Cão?
Quem um dia inventou a história
De que o negro tinha que ser escravos
Para satisfazer interesses de senhores
Que se consideravam os bravos?
Por que mesmo em nossos dias
Onde nos encontramos tão civilizados
O racismo e preconceito insiste em existir
Mesmo que de modos velados.
Por que insistem em afirmar
Que a coisa tá preta no ruim momento?
E definem uma cor para as coisas más
Fixando isso no pensamento.
Consciência negra é para reflexão
Dos nossos atos e ideologia
Somos todos iguais nesta vida
E devemos viver em harmonia.
Ser Negro é ser humano
Com um carinho profundo
Tem uma vida em nada diferente
Das outras raças do mundo.
Poema: Odair
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Amor sem fim
Meu coração não tem ilusão
Com o seu amor não sinto dor
Não tenho segredo
Pois perdi o medo
De não ter o seu calor.
Sou a imagem dessa miragem
Que ao olhar deseja me amar
Seu amor me enriquece
Seus carinhos me enlouquece
Quando vejo seus olhos brilhar.
Minha flor, você é meu amor
Neste jardim cuida de mim
Tenho uma razão para viver
Jamais vou te esquecer
Pois essa paixão não tem fim.
Poema: Odair
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Às Margens do Rio Paraguai III
Era uma noite atípica para a região
Um vento suave e frio
Balançavam as folhas das árvores na baia
E os cabelos das meninas no cais.
Casais se aconchegavam
Crianças corriam pela praça
Enquanto outros ouviam música no calçadão.
Sonhos de pessoas a passear na noite
Estampados nos rostos singelos de vidas.
Às margens do Rio Paraguai
Vi crianças brincarem ao som da lata
Como se o mundo as pertencessem.
Jovens de mãos dadas e juras de amor nos olhares.
A brisa suave que vinha da natureza
Refrescava a alma de um jovem poeta
Que observa as pessoas caminharem.
Seu pensamento o leva há tempos imemoriais
Quantos casais se conheceram nessa praça?
As águas do Rio Paraguai descem silenciosas
São as lágrimas de princesas aladas
Que choram amores perdidos na longa noite da História.
Não vi estrelas nessa noite
Elas estão encobertas pelas nuvens
E a brisa suave chega a arrepiar o corpo.
Busco contemplar minha imagem nas águas
Tal qual Narciso de outrora
Mas não me vejo tão imortal assim.
Imagino uma canção que expresse o sentimento
De apreciar a beleza desse lugar.
Quantas almas já estiveram nesse espaço
Imaginando um futuro para suas vidas?
A eternidade é vista no reflexo das águas
Enquanto a noite se vai.
Às margens do Rio Paraguai
Sinto a brisa suave dessa noite
Diferente das noites de calor
Ela tem um brilho especial e singelo.
Estamos aqui porque amamos esse chão
E essa é a canção de hoje...
Poema: Odair
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
13.505
13.505 é um número.
Número de uma existência...
Tempo de uma vida
E de uma consciência...
Cada dia que vivo
Agradeço ao Criador
pela bondade e misericórdia
Que concede-me pelo seu amor.
Que outros tantos dias
Possam permitir-me viver
Para que aprenda mais e mais
E que na graça possa crescer.
Poema: Odair. Agradecimento por mais um ano de vida.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Dimensão do amor
Meu coração está acessível ao amor
Sinto a brisa o meu rosto tocar
O frescor da manhã me conduz
Ao encontro do seu lindo olhar.
Sinto meus pensamentos voarem
E a distância que nos separa romper
Vejo seus cabelos soltos no vento
Lindos como o raiar do sol no alvorecer.
Indago-me a razão de amar você
Da forma que sinto no meu coração
E descubro que não existem respostas
Para tão sublime sensação.
Olhando o horizonte distante
Contemplo seu sorriso encantador
Sorriso que transforma minha vida
Pois, lembra-me um jardim em flor.
Sou feliz desde que a conheci
E você não mais saiu dos meus pensamentos
Não há como explicar a dimensão
Do amor que envolve meus sentimentos.
Poema: Odair
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Farrapos Humanos
Olhos vermelhos e inchados
Veias perfuradas pelas agulhas
Sonhos desfeitos na madrugada
Vidas que choram de dor
E causam lágrimas de outras pessoas.
Mais uma casa arrombada
Para satisfazer a ânsia de um larápio
Objetos levados por mãos sorrateiras
Vidas que roubam objetos
Mas, roubam à paz de outras pessoas.
Olhos de crianças a mendigar
Além do pão, um carinho,
De um pai dominado pelo álcool
Vidas que sofrem a ausência
De outras vidas que as deveriam amar.
Mostram pernas e peitos nas avenidas
Acenam e dialogam com os transeuntes
Na esperança de fazerem o sexo ali mesmo
Vidas que sonham com o amor verdadeiro
E que destroem relacionamentos.
Não pestanejam em puxar o gatilho
Ceifam a existência que o Criador ofereceu
Por motivos banais e financeiros
Vidas que não pensam no próximo
E que assolam famílias inteiras.
Passam o dia todo bebendo
Fazem festa por qualquer coisa
E a noite dá continuidade às estripulias
Vidas que não pensam no futuro
E deixam outras vidas dependentes.
Farrapos humanos
Esses personagens descritos
Vidas que vegetam na sociedade
Não sabem o que é sentimento
Passam pela vida, não vivem...
Poema: Odair
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Que essa canção chegue ao seu coração
Levantei meus olhos ao céu
Na esperança de ver o brilho das estrelas
E na mais brilhante delas encontrar
A essencia do seu olhar.
Meu coração bate descompassado
Sentindo a saudade profunda
De um sorriso tão salutar
Que provocas ao me amar.
Não estás aqui junto de mim
Nesta hora em que penso em você
Sinto falta do seu calor
Quando entregas a mim seu amor.
Então te procuro na minha solidão
E convivo com minha esperança
O seu amor é o que me faz viver
Pois você não consigo esquecer.
Que a brisa da noite leve até você
Esses singelos versos de amor
Que exprime o sentimento do meu coração
O qual transformo nesta canção.
Poema: Odair
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Seus Olhos
Seus olhos são lindos
Com promessa de vida;
Iluminados por um brilho,
Que Deus lhe deu, querida.
Eles contam histórias
De amores tão ternos;
Produzindo sonhos
Que serão sempre eternos.
Menina, seus olhos traduzem
O som de uma melodia;
Que pensando neles
Vou transformando em poesia.
Linha após linha
Seus olhos me levam por um caminho,
Ao paraíso mais lindo
Onde encontro o teu carinho.
Seus olhos são lindos
Assim como você é uma flor;
Quero muito ter você
Para dar-lhe todo meu amor.
Poema: Odair
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