sexta-feira, 31 de julho de 2026

Então chegou o outono

 Apaixonaste-te pela flor que sorria ao sol, 
Pelas cores que encantavam os teus olhos, 
Pelo perfume que atravessava as manhãs, 
Mas esqueceste de olhar a terra silenciosa, 
Onde a vida aprendia a resistir. 
 
As raízes nunca pedem aplausos, 
Não conhecem o brilho das vitrines, 
Vivem escondidas sob o peso do mundo, 
Alimentando o que todos admiram, 
Sem jamais serem admiradas. 
 
Então chegou o outono, inevitável, 
E as pétalas partiram com o vento, 
O jardim perdeu o seu esplendor, 
E o coração que amava apenas a aparência 
Confundiu mudança com fim. 
 
Mas a raiz permaneceu desperta, 
Abraçando a terra com paciência, 
Guardando em silêncio a força do recomeço, 
Porque quem conhece o tempo da natureza 
Nunca perde a esperança. 
 
Ama, portanto, aquilo que não se vê: 
A essência antes da beleza, 
O caráter antes do encanto, 
Pois as flores pertencem às estações, 
Mas as raízes sustentam a eternidade do amor. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário