Como se cada segundo exigisse uma conquista.
As mãos permanecem ocupadas,
Mas, por vezes, o coração permanece vazio,
Esperando um instante que nunca chega.
Chamaram de virtude o cansaço,
E de fraqueza o silêncio necessário.
Vestiram a pressa com roupas de sucesso,
Enquanto o descanso foi deixado à margem,
Como um luxo que poucos merecem.
Mas há uma sabedoria escondida na pausa,
No banco de uma praça, na sombra de uma árvore,
No café tomado sem olhar para o relógio,
No vento que atravessa a janela aberta
E lembra que a vida também sabe esperar.
Nem toda semente rompe a terra imediatamente,
Nem todo rio corre com violência.
A natureza conhece o valor dos ciclos,
Da noite que prepara o amanhecer,
Do inverno que fortalece a primavera.
Que eu não seja apenas aquilo que produzo,
Nem reduza minha existência a uma lista de tarefas.
Quero aprender a caminhar sem tanta urgência,
Descansar sem culpa e viver com inteireza,
Porque a alma também floresce quando repousa.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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