quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O peso das horas

 Vivemos correndo atrás de relógios impacientes, 
Como se cada segundo exigisse uma conquista. 
As mãos permanecem ocupadas, 
Mas, por vezes, o coração permanece vazio, 
Esperando um instante que nunca chega. 
 
Chamaram de virtude o cansaço, 
E de fraqueza o silêncio necessário. 
Vestiram a pressa com roupas de sucesso, 
Enquanto o descanso foi deixado à margem, 
Como um luxo que poucos merecem. 
 
Mas há uma sabedoria escondida na pausa, 
No banco de uma praça, na sombra de uma árvore, 
No café tomado sem olhar para o relógio, 
No vento que atravessa a janela aberta 
E lembra que a vida também sabe esperar. 
 
Nem toda semente rompe a terra imediatamente, 
Nem todo rio corre com violência. 
A natureza conhece o valor dos ciclos, 
Da noite que prepara o amanhecer, 
Do inverno que fortalece a primavera. 
 
Que eu não seja apenas aquilo que produzo, 
Nem reduza minha existência a uma lista de tarefas. 
Quero aprender a caminhar sem tanta urgência, 
Descansar sem culpa e viver com inteireza, 
Porque a alma também floresce quando repousa. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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