Não porque a porta esteja fechada,
Mas porque o tempo não aprende a andar para trás.
Há escolhas que nos inventam
E despedidas que nos revelam.
Ninguém salva o outro do vazio.
Cada um atravessa a própria noite.
O amor não absolve nossas decisões,
Apenas lhes dá um rosto
Antes que o silêncio as reclame.
Não recolherei os teus pedaços.
Não por crueldade, mas por verdade.
O que foi quebrado pertence à tua história.
A minha começa onde aceito
Que não posso viver por ninguém.
Voltar seria negar quem nos tornamos.
Seria vestir um passado já sem corpo.
O arrependimento não devolve o instante,
Apenas ilumina, tarde demais,
A estrada que ficou para trás.
Por isso sigo.
Não em busca de um novo amor,
Mas de uma existência que não dependa de retornos.
Quem aceita a liberdade aceita também suas perdas.
E continua caminhando, apesar delas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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