domingo, 2 de agosto de 2026

Ninguém salva o outro do vazio

Se um dia teu coração se partir, não voltes. 
Não porque a porta esteja fechada, 
Mas porque o tempo não aprende a andar para trás. 
Há escolhas que nos inventam 
E despedidas que nos revelam. 

Ninguém salva o outro do vazio. 
Cada um atravessa a própria noite. 
O amor não absolve nossas decisões, 
Apenas lhes dá um rosto 
Antes que o silêncio as reclame. 

Não recolherei os teus pedaços. 
Não por crueldade, mas por verdade. 
O que foi quebrado pertence à tua história. 
A minha começa onde aceito 
Que não posso viver por ninguém. 

Voltar seria negar quem nos tornamos. 
Seria vestir um passado já sem corpo. 
O arrependimento não devolve o instante, 
Apenas ilumina, tarde demais, 
A estrada que ficou para trás. 

Por isso sigo. 
Não em busca de um novo amor, 
Mas de uma existência que não dependa de retornos. 
Quem aceita a liberdade aceita também suas perdas. 
E continua caminhando, apesar delas. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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