É um refúgio onde o mundo se cala
E a mente, cansada de errar, procura abrigo nas palavras.
Entre papéis e silêncios, escrevo para não me perder.
Há noites em que a mesa parece respirar comigo.
As páginas tremem como lembranças,
E a luz da lâmpada é a última chama
Que resiste ao escuro do pensamento.
Estudar é conversar com vozes que já partiram.
Elas sussurram entre as linhas,
E eu, sozinho, escuto,
Sabendo que toda sabedoria tem algo de luto.
Sobre a mesa, o tempo se acumula em pilhas de papel.
Cada anotação é um traço de quem fui,
Cada palavra riscada, um erro que ainda me habita.
O aprendizado é, talvez, uma forma de saudade.
Às vezes, penso que estudo para me lembrar de mim mesmo.
Porque nas pausas entre uma frase e outra,
É o coração quem pensa,
E o pensamento, quem sente.
A mesa é testemunha do que não digo.
Ali repousam perguntas que não ouso escrever,
E verdades que só o silêncio compreende.
Não estudo apenas o mundo,
Mas o que de mim se dissolve nele.
Cada leitura é um espelho,
Cada noite, uma travessia para dentro.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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