Depois do teu sorriso,
Tudo ficou quieto demais.
Como se o mundo tivesse esquecido
O som de existir.
As sombras voltaram,
Mas vieram mansas,
Carregando o perfume
Do que já não volta.
Ainda há luz
No lugar onde teus lábios passaram,
Uma cicatriz que brilha
Quando fecho os olhos.
Descobri que o amor
Não termina com o toque,
Ele persiste nas frestas,
Nas pausas,
No quase.
E se o teu feitiço me deixou vazio,
Foi um vazio santo,
Feito de calma e vertigem,
Onde aprendi que há beleza
Também em se perder.
Agora, o silêncio é meu abrigo.
E nele ainda ouço,
Muito ao longe,
O eco do teu sorriso
Me desarmando outra vez.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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