quarta-feira, 6 de maio de 2026

O silêncio depois do encantamento

Depois do teu sorriso, 
Tudo ficou quieto demais. 
Como se o mundo tivesse esquecido 
O som de existir. 
 
As sombras voltaram, 
Mas vieram mansas, 
Carregando o perfume 
Do que já não volta. 
 
Ainda há luz 
No lugar onde teus lábios passaram, 
Uma cicatriz que brilha 
Quando fecho os olhos. 
 
Descobri que o amor 
Não termina com o toque, 
Ele persiste nas frestas, 
Nas pausas, 
No quase. 
 
E se o teu feitiço me deixou vazio, 
Foi um vazio santo, 
Feito de calma e vertigem, 
Onde aprendi que há beleza 
Também em se perder. 
 
Agora, o silêncio é meu abrigo. 
E nele ainda ouço, 
Muito ao longe, 
O eco do teu sorriso 
Me desarmando outra vez. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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