terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Gratidão pelas maravilhas do Senhor



“Quem pode contar 
Todas as coisas maravilhosas 
Que Ele tem feito? 
Quem pode louvá-lo como Ele merece?” 
Meu coração se rejubila 
Pelas grandes maravilhas 
Que Deus tem feito por mim. 
Ele tem protegido a minha vida 
E confortado meu coração 
Com as alegrias do céu. 
Eu o louvarei de todo meu coração 
Ao único que é digno de todo louvor 
E adoração. 
Senhor, Tu tens sido o meu refúgio 
O meu socorro nas horas de angústias. 
Os meus lábios exaltam o seu nome 
E rende-te louvores 
De agradecimento 
Por todas as maravilhas que me tens feito. 
Quão grande é o seu amor 
Demonstrado por mim. 
Por isso exalto o seu Santo Nome 
Com toda alegria do meu coração. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

sábado, 26 de dezembro de 2015

Gênesis


Há uma criação 
Um mundo perfeito 
Cheio de beleza criado por Deus 
E que enche os olhos de emoção. 

Há uma criação 
Uma família linda 
Estabelecida no Jardim de Deus 
Para viver sempre em comunhão. 

Há uma tentação 
Um mal que sutilmente 
Quer destruir tudo de bom 
Que Deus planejou no seu coração. 

Há uma redenção 
Uma promessa de vida 
Além do pecado que separou 
O homem da sua original criação. 

Há uma grande lição 
De pessoas que andam 
Sempre na presença de Deus 
E obedece sempre com determinação. 

Há um novo recomeço 
Mesmo que as águas tenham 
Destruído toda a maldade do homem 
Pois o castigo do pecado tem um preço. 

Há vida e esperança 
Mesmo que esteja no fundo 
De um grande poço sem saída 
Pois, Deus nunca esquece sua aliança. 

Há sempre uma advertência 
De que há perigo além das campinas 
Verdejantes das Sodoma deste mundo 
Que precisamos fugir com muita diligência. 

Há sempre vitória 
Para todos que crêem 
Nas maravilhas que Deus fez 
Para louvor e grandeza de sua glória. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O natal de Stone Halls


Aconteceu em uma pequena cidade do Mato Grosso 
No final dos anos oitenta 
Circulava pela pequena praça da vila 
Uma criança que tinha uma vista atenta. 

Na noite anterior, véspera de Natal, 
Tinha observado as pessoas em festa 
Que passava por ele em meio burburinho 
Sem saber que em seu estômago nada resta. 

Há poucos dias passados sua mãe tinha ido embora 
Deixando que ele pudesse sobreviver 
Sem a proteção que só uma mãe pode dar 
Em um mundo difícil de crescer. 

O pai tinha que trabalhar para sustentá-lo 
E com ele não podia, naquele dia, estar. 
Enquanto as pessoas festejavam 
Para ele não sobrava nem um olhar. 

O cheiro suave das carnes sendo assada 
Em suas narinas chegavam 
Deixando sua fome mais apertada 
E uma tristeza que seus pensamentos solapavam. 

Não sabia por que passava por aquilo 
Pois era uma criança que desejava a felicidade 
Que tanto propagavam nesses dias 
Mas que, para ele, só existia a saudade. 

Com os olhos fundos de tristeza 
Olhava para as casas cheias de gente 
Sentia-se sozinho naquele universo 
E sabia que, para eles, era indiferente. 

Em sua cabecinha ficava uma inquirição 
Que parecia resposta não ter 
Por que falavam tanto em espírito natalino 
Se ninguém importava com o seu sofrer? 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O que vejo em seus olhos


Às vezes deixo-me 
Ser levado pelos pensamentos. 
Uma viagem tão sensível 
Ao centro do seu coração... 
O que vejo em seus olhos 
Enche a minha alma de esperança; 
Seu sorriso tão lindo 
Afasta de mim toda ilusão. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Que sociedade é essa?


Como viver em uma sociedade 
Como a que estamos inseridos 
E não sentir um tédio danado? 
Onde estão os grandes exemplos 
De pessoas coerentes para seguirmos? 

Não dá para admirar os proeminentes 
Que ocupam os principais postos da nação. 
As celebridades, 
Os artistas, 
Os atletas. 
Medíocres. 

Do outro lado, 
Pessoas insossas, 
Conformistas 
E apáticas 
Deixam-se levar 
Pelas ilusões de um mundo caótico. 

O que esperar do futuro? 
Onde depositar a esperança de dias melhores? 

Criminosos infames deturpam. 
Pessoas envolvidas com frivolidades. 
Tudo lixo de uma sociedade corroída pela poluição. 
Ambiental, 
Sonora 
E visual. 

Onde posso colocar os meus pés? 
Onde posso colocar as minhas idéias? 

Não há autonomia. 
O homem moderno é um negócio. 
O consumismo toma conta das pessoas frívolas. 
O capitalismo selvagem solapa as mentes 
E as transformam em marionetes 
Nas mãos invisíveis do sistema. 

Ninguém ouve o meu brado. 
Eu grito pelas ruas e avenidas. 
Mas os ouvidos estão com comichões 
E ninguém escuta nada. 

Insignificantes seres 
A perambular pela existência humana. 
Já não há um nome que se possa dizer: 
Eis uma pessoa de caráter. 

Sim. 
Eu estou entediado 
De ver tanta mediocridade. 
Cansado de ver pessoas surdas, 
Mudas e cegas. 

Para onde caminha a humanidade? 
Responda-me se puder. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

sábado, 19 de dezembro de 2015

Abstração


Seu olhar na noite escura 
Fez a luz ser ofuscada 
Pelo brilho da sua tristeza 
Que rompeu na madrugada 
Do sonho introspecto 
Abalado pelo pesadelo 
De não mais te contemplar 
Na miragem do desfiladeiro 
Onde não consegui segurar a queda 
Do castelo que criei 
No entardecer do dia alegre 
Que aqui imaginei. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Se isso não for amor



Uma saudade muito grande 
Apodera-se do meu coração 
Sua ausência causa-me medo 
De viver na triste solidão. 

Seus olhos tão misteriosos 
É a esperança do meu amanhecer 
Pois o brilho do seu olhar 
Não me deixa te esquecer. 

Sinto um aperto na alma 
Quando não contemplo seu sorriso 
Singelo como a primavera 
É do que mais preciso. 

Meu coração bate mais forte 
Toda vez que te vejo 
Caminhando nos meus sonhos 
Isso aumenta meu desejo. 

Se isso não for amor 
A profundidade deste sentimento 
Não sei o que faço nesta vida 
Para tirar você do pensamento. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Não há medo em meus olhos


Não há medo em meus olhos. 
Não deixo-me vencer 
Pelas palavras persuasivas 
Que querem destruir os meus sonhos. 
Há uma grande jornada pela frente 
E meus passos devem ser firmes e constantes. 
Não posso olhar para trás 
Nem temer os meus perseguidores. 
Todos eles serão destruídos pelo meu protetor. 
O sol escaldante não me atinge 
Porque sou protegido pelas sombras das nuvens. 
Nem mesmo a reclamação do povo 
Pode deter os meus objetivos:
Vencer as barreiras. 
Fui chamado e escolhido 
Para uma missão especial. 
Levanto-me das cinzas 
Para guiar um grande povo 
Em direção ao desconhecido. 
Mas, sei bem quem me chamou 
Para essa grande missão 
E Ele vai conduzir-me a terra prometida. 
Nem o mar, nem os gigantes da terra 
Poderão impedir que esse povo 
Tome posse da herança do Senhor. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

sábado, 12 de dezembro de 2015

Longa espera


Fecho os olhos silenciosamente 
E deixo-me descansar do longo dia 
A noite cai vagarosamente 
E sua imagem permeia meus pensamentos. 
E, ao fechar os olhos, 
Você aparece sorridente. 
Tens um sorriso encantador 
Que espanta minha tristeza. 
Continuo com os olhos fechados 
Sei que não posso abri-los 
Para que a realidade apareça. 
Você, então, dança suavemente 
A dança mágica do amor 
E meu coração se alegra 
 Em ver tamanha beleza. 
É uma longa espera 
Para ver-te outra vez. 
Sinto o momento chegar 
E já não sei se tenho palavras 
Para dizer. 
Com os olhos fechados durmo 
E, nos meus sonhos, você é real. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Às noites são silenciosas quando quero pensar


Às noites são silenciosas quando quero pensar. 
Não ouço a respiração dos meus próprios medos. 
Deixo-me levar pelo silêncio da minha alma que busca alívio para a dor interna. 
De dia foram os sorrisos. 
Mas, à noite trás consigo a angústia de uma solidão que permanece no vazio da alma. 
Lá no fundo, o que quero é ter a liberdade de deixar escapar pelos meus dedos as ilusões escondidas dentro do coração. 
Lá fora as estrelas brilham e o vento sopra as folhas. 
Parece fazer frio. 
Mas, eu me escondo por entre os lençóis de cetim na esperança de não sofrer. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Coração de serpente



Coração de serpente é quente 
Fere a alma da gente 
E não existe antídoto para o seu veneno 
Somos atraídos 
Somos feridos 
E nos tornamos seres pequenos. 
Desde o jardim do Édem 
O sorriso engana 
Nos inflama 
Diz que nos ama 
E então nos deixa no sofrimento 
Não existe alento 
O brilho dos olhos ofusca 
Entramos em uma eterna busca 
Para curar a cicatriz 
E por um triz 
Somos devorados em nossa paixão 
Ah... Coração de serpente 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Tento dar paz ao meu viver



A alma anela por um dia de paz 
Na caminhada solitária da vida. 
O anseio de dias menos sufocantes 
Na trajetória por mim escolhida. 

O desejo que percorre o sentimento 
Estraçalha o coração 
Transforma os sonhos reais 
Na mais pura ilusão. 

Caminho na escuridão da noite 
Tentando dar paz ao meu viver 
Mas, seus olhos me perseguem na noite fria 
Dizendo-me que não posso te esquecer. 

Durante o dia escondo-me do sentimento 
E procuro nas lembranças me acalmar 
Seu perfume conduzido pelo vento 
Vem até mim e de você me faz lembrar. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Transformo minhas noites em sonhos



Sinto um amor que domina minha vida 
Que extrapola meus desejos 
Sinto o aroma de seus beijos 
Que a torna para mim tão querida... 

Transformo minhas noites em sonhos 
Dos quais procuro não acordar 
Porque neles estou sempre a te amar 
E meus olhos não são tristonhos. 

Seus olhos tão misteriosos e singelos 
Invadem minha triste solidão 
Traz alento ao meu frágil coração 
E a ele oferece momentos belos. 

Tens um sorriso encantador 
Que mostra-me quão próximo estou do paraíso 
Pois, neste belo sorriso 
Esqueço minha própria dor. 

Amo-te de forma sublime 
Pela mágica que tranquiliza minha alma 
Por dar-me a preciosa calma 
Que meu coração tanto exprime. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Que minha alma consiga expressar a razão do meu amor



O brilho dos seus olhos rasgou a escuridão 
E dissipou a minha ilusão. 
O tempo descontinuou por um longo instante 
E a tristeza foi para bem distante. 

O amor que persevero em te revelar 
É maior que as coisas banais da vida. 
E o desejo que sinto por ti, querida, 
Maior que o próprio mar. 

Amo-te como ama o amor 
Como a alma sedenta anseia a fonte 
De água límpida e refrigerante 
Assim é o anseio de meu ser pelo teu calor. 

Sou amante de seus olhos lindos 
De sua alma singela e radiante de viver 
Amar você é ver o sol ao amanhecer 
E seus lábios sempre sorrindo. 

Que minha alma consiga expressar 
A razão de meu amor por você 
O anelo de contigo viver 
Para sempre e sempre te amar. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A solidão me ajuda a caminhar



Descobri através do silêncio 
Que a vida segue a sua direção 
Como um rio desce as montanhas 
A dor falece no coração. 

O tempo fez-me esquecer 
O sorriso e a felicidade 
Que outrora contigo tinha 
E que agora tenho a saudade. 

Não é que o amor tenha acabado 
O contrário dito deve ser 
É que a solidão me ajuda a caminhar 
E seus olhos a esquecer. 

No mais profundo do coração 
É onde escondo a minha dor 
De uma inesquecível paixão 
E a ausência de um amor. 

Hoje sei caminhar sozinho 
E a jornada da vida trilhar 
Já não sinto medo do futuro 
Pois, outra vez, aprendi amar. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ser negro


Quem um dia inventou a história 
De que a cor negra era uma maldição 
De que foi o castigo imposto a Caim 
E o flagelo destinado a Cão? 

Quem um dia inventou a história 
De que os negros tinham que serem escravos 
Para satisfazer interesses de senhores 
Que se consideravam os bravos? 

Por que mesmo em nossos dias 
Onde nos encontramos tão civilizados 
O racismo e preconceito insiste em existir 
Mesmo que de modos velados. 

Por que insistem em afirmar 
Que a coisa tá preta no ruim momento? 
E definem uma cor para as coisas más 
Fixando isso no pensamento. 

Consciência negra é para reflexão 
Dos nossos atos e ideologia 
Somos todos iguais nesta vida 
E devemos viver em harmonia. 

Ser Negro é ser humano 
Com um carinho profundo 
Ter uma vida em nada diferente 
Das outras raças do mundo. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Aquele único olhar


Eu só queria ver o seu olhar 
Nada mais me importava 
Quanto à beleza daquele olhar... 
Mas não era fácil 
Havia muitos imprevistos 
E ela estava muito ocupada em suas tarefas. 
Ela não ia olhar para mim 
Não mesmo... 
Mas eu estava lá 
Queria apreciar aquela noite 
E ela estava tão linda... 
O branco e o amarelo 
Seus cabelos divididos em duas partes 
Seguros por florzinhas amarelas
Linda flor amarela
Que encantou-me... 

Foi um único olhar 
Em um dos momentos que foi possível 
Ela sorriu 
Lindamente o sorriso mais singelo 
E eu vi o brilho em seu olhar 
O amor de seu coração... 
E eu sei o quanto amo tudo isso. 
Valeu a pena ter ido em busca daquele olhar... 
Eu não posso esquecer!!! 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O Doce Amargo da Tragédia


Toneladas de lama 
E já não há o doce do Rio Doce. 
No Bataclan 
O sangue a jorrar 
Sem piedade. 

Peixes a boiar 
Vida que se esvai 
Das margens insólitas do Rio Doce. 
Choro e lágrimas 
Banham os rostos pálidos 
De quem viu a vida desaparecer 
Do dia para a noite. 

Em meio as luzes multicoloridas 
Paris chora seus mortos espalhados pelo chão. 
Comoção universal 
Não no meu nome! 

Nigéria... 
Boko Haram mata sem piedade 
Os cristãos e as minorias de uma sociedade esquecida 
Mas quem se importa com isso? 

Lágrimas de um mundo em flagelo 
De uma sociedade violenta 
Discursos 
Falácias 
De governos ditatoriais... 

O ovo da serpente 
O fogo do dragão 
Lágrimas de crocodilo 
Sonhos desfeitos 
Pela embriaguez 
Pela estupidez humana. 

Até quando? 
Até quando? 
Até quando? 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

Paris
 Nigéria

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

42


Eu nasci em circunstâncias bem atípicas. Nasci em um tempo distante onde não havia tecnologia como conhecemos. Minha mãe não pode ter um hospital para ter o seu bebê que agora vinha ao mundo. Não nasci em berço de ouro e, pelos relatos de meus pais, nem berço havia para que eu pudesse descansar. Em algumas ocasiões nem mesmo o leite havia para que eu pudesse saciar minha fome. Eram tempos difíceis. Passei muitos perigos quando pequeno, mas sobrevivi a tudo isso. Minha história tinha inicio nos primórdios dos anos 70 na região inóspita de um Mato Grosso ainda selvagem. Corri sério riscos de morrer por ataques de cobras, de picadas de insetos, de acidentes, de paralisia infantil, tuberculose e outras mazelas que atingiam crianças daquela época. Mas, tudo isso não foi capaz de atrapalhar a minha jornada.

Minha adolescência e juventude foi quase toda vivida na pequena cidade de Lambari D'Oeste, que naquela época era só Lambari mesmo. É um tempo do qual não consigo esquecer. Muito sofrimento por viver, na maioria do tempo, nas casas dos outros, uma vez que meus pais haviam se separados o que dificultou essa fase da minha vida. No entanto, não me tornei um bandido e nem um revoltado com a vida. Tirei lições preciosas desse tempo amargo e aprendi a crescer com objetivo de fazer as coisas certas.

Minha fase de jovem foi marcante na cidade de Cáceres nos anos 90. Lembro-me da Hollywood Dance, UBSSC e Praça Duque de Caxias. Algumas experiências amargas. Pular da Ponte Marechal Rondon e nadar no Rio Paraguai correndo o sério risco de morrer afogado. Praia do Julião. Escola Mário Motta. Boas lembranças.

O tempo passa. Hoje chego aos 42 anos. Uma vida cheia de desafios e obstáculos a ser vencido cada dia. Parece-me que chego ao topo de uma montanha e agora posso ver o horizonte distante. Olho por onde trilhei e vejo coisas que não via quando por lá passava. Olho para o caminho a minha frente e sei que coisas boas ainda estão por vir. Realização de sonhos. Objetivos a alcançar. Orgulho-me da família que Deus me concedeu. Meus pais, inesquecíveis. Meus irmãos, insubstituíveis. Meus filhos, o maior tesouro que alguém poderia ter.

Cometi muitos erros durante toda minha vida. Mas, nunca fiquei prostrado. Tive medo, mas sempre procurei superá-lo. Sonhei e ainda sonho. Chorei e sorri. Magoei e fui magoado. A vida me ensina lições toda manhã. E procuro aprender com todas as coisas a minha volta. Quero viver mais 42 anos se assim o Senhor me permitir. Aos amigos, quero muito receber todas as considerações em vida. Talvez não possa retribuir o carinho de todos, mas saibam que estão dentro do meu coração para sempre.

Agradeço imensamente ao meu Deus pela oportunidade que Ele me concede de viver neste tempo presente e de conhecer pessoas fantásticas como as que me cercam. Que meu legado seja de coisas boas para todos aqueles que saibam apreciar as vozes do coração. A coisa mais importante na vida é saber que existe um Deus que nos concede essa preciosidade. Por isso sou eternamente grato a Deus pelos 42 anos de vida que Ele me concede neste dia.

Texto: Odair José, o Poeta Cacerense

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Declaração de amor


Aprendi tanto com você... 
Aprendi com sua humildade que me fascina; 
Aprendi com sua coragem ao superar 
as dificuldades que se abateram sobre sua vida. 
Mas, acima de tudo, 
aprendi com o seu amor e carinho 
que me possibilitou acreditar 
que eu posso sim ser amado por alguém. 
Você me transmite tanta paz 
que tenho sonhado com você o tempo todo. 
Tenho sentido em meu coração que Deus, 
realmente, tinha algo especial para a minha vida. 
QUERO viver com você por toda minha vida! 

Texto: Odair José.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A dúvida


Vinham de longe os dois. Em dúvidas, ainda,
José, mais uma vez, contempla a virgem casta,
E tenta compreender que ela, tão pura e linda,
Em breve será mãe. Tenta, hesita e se afasta,

Mas volta perturbado. A dúvida não finda.
Se há o mistério sutil, há a ideia nefasta.
E, sob o pálio azul da sua crença infinda,
Qual réptil viscoso a dúvida se arrasta...

Eis que, afinal, estão os dois na estrebaria,
Entre animais... José, finalmente, agasalha
A criança que lhe diz, pelos olhos: "confia!

Confia! Crê em mim! Um hino aos céus entoa,
Pois o filho que tens neste berço de palha
É o Deus que te redime e o Pai que te perdoa!"

Poema: Tobias Pinheiro

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Não há atalhos para a vitória



Estamos em uma caminhada 
Por caminhos cheios de espinhos 
E precisamos chegar ao final 
Para recebermos a vitória. 

Mas não há atalhos 
Só existe uma solução 
Que é andar nos preceitos de Deus 
No que determina Sua palavra. 

A vitória certa só alcançará 
Aqueles que obedecem 
Aos mandamentos 
E andam nos ensinamentos de Jesus. 

Muitos querem ir pelos atalhos 
Escolhem caminhos fáceis 
Mas esses caminhos 
Tem um final de morte. 

Creia nos propósitos de Deus 
E ande em seus mandamentos 
E chegará ao lugar certo 
Que Deus desejou para sua vida. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Se distante de mim você sorrir



Um dia cantei a ti o amor 
Tudo aquilo que sentia em meu coração 
Revelei-te o sentimento que em mim crepitava 
Com a mais pura emoção. 

O medo e a desilusão da vida 
Fizeram você de mim se afastar 
Procurou em outros refúgios 
A chama do amor apagar. 

Na noite de despedida selei o juramento: 
Sempre com carinho de ti lembrar 
E, mesmo com o passar do tempo 
Para sempre te amar. 

O sorriso e a lágrima 
Foi o que marcou nosso amor 
Em prosa cantei esse tema 
No qual selo hoje com muita dor. 

Decidi que mais vale para mim 
Longe dos meus braços ver teu sorriso 
Do que sentir suas lágrimas a molhar meu peito 
Por que não é isso o que preciso. 

Se distante de mim você sorrir 
Por sua felicidade encontrar 
Serei feliz em minha tristeza 
De ter saudade do seu olhar. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Apenas mais um corpo que cai



O que faz você pensar 
Que é melhor do que os outros? 
Andar nas nuvens deixa nossos olhos ofuscados 
E o vento tortura-me 
No espaço infinito dessa solidão. 
O medo não é meu inimigo 
O ódio sim corrói a alma ferida pela ilusão. 
Fique aqui no seu canto 
Você é especial e não pode sofrer o dano 
Se preciso for, 
Os outros podem dar a vida por você. 
Sacrifício? Não. 
É apenas mais um corpo que cai. 
Não pense que a vida é injusta 
Alguém sempre sofre mesmo. 
Não se iluda com as circunstâncias 
Olhe bem para eles. 
São apenas vítimas desse sistema cruel. 
Há nesses olhos a ilusão da vida 
O sonho da conformação 
O desejo servil. 
Você é um privilegiado 
Nasceu diferente dessa sociedade 
Destinada ao fracasso. 
Que se dane todos eles 
Você é a pessoa certa no tempo 
A usufruir essa ideologia 
De que todos devem curvar à cabeça 
Diante do seu destino de controlar. 
O domínio é seu 
Tudo é seu 
Nada é deles! 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense 
Desenho: Pawel Kuczynski 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Obscuridade


Essa incerteza que há em mim 
Que não me deixa pensar direito 
O que realmente sinto. 
Que tira de mim aquela paz 
Tão comum aos que não sabem 
O que é o verdadeiro amor. 
Vivo um estado duvidoso de mim mesmo 
Sem saber se você vive em mim 
Ou se já partiu para outro lugar. 
Busco aquela estrela 
Que vai dar brilho ao meu sonho 
Outrora desfeito 
Pela magia do seu olhar. 
Esse é um mal conhecido 
Que corrói a minha alma. 
Preciso saber até onde vai 
Essa minha obscuridade 
Sobre este sentimento. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Pra não dar tempo de pensar em você



Eu precisei correr com os olhos fechados 
Sentindo a brisa cortar o meu rosto 
Na esperança de afastar de mim 
As lembranças do seu sorriso. 
Uma tristeza profunda tomava conta 
Do meu coração em pedaços 
Ao lembrar a meiguice do seu olhar 
Que já não olhava em minha direção. 
Eu quisera ser o seu sonho 
E aquecer os seus dias de inverno 
Mas, seus passos se foram 
Para distante de mim na primavera. 
Meu isolamento do mundo tem um motivo 
Que é me esconder dos olhares fugazes 
De pessoas que sorriem da minha tristeza 
Causada pela sua ausência. 
Eu fugi do mundo a minha volta 
Pra não dar tempo de pensar em você 
E, assim, não deixar transparecer 
A minha grande dor. 
Sou o lobo solitário do deserto 
Sem um sentido para existir 
Depois que você se foi para sempre 
Da vida que sonhei para mim. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A agonia de querer ser livre


Hoje estava pensando nessa tal liberdade. 
Daí me veio a mente 
Os diversos questionamentos 
Que ouço todos os dias a minha volta. 
Um dos mais paradoxal diz respeito ao amor: 
Enquanto uns dizem saber o que ele é 
Outros afirmam, categoricamente, não saber explicá-lo. 
Na verdade é difícil expressar algo que não vemos. 
As pessoas não entendem 
O que é estar preso a um sentimento onde, 
Por mais que você queira, não consegue se livrar. 
Liberdade é quando você pode sonhar 
E realizar aquele sonho. 
Mas, daí entra outra questão pertinente: 
Ora, um sonho já se explica automaticamente... 
Sonho é sonho. 
O que se realiza não é sonho é realidade. 
Pois bem, voltando a liberdade. 
Nas encruzilhadas da vida, 
Cansados de tanto caminhar pela longa estrada, 
De repente nos deparamos 
Com o olhar de uma pessoa que acaba de chegar ali 
Naquele exato momento. 
O que eu procuro ela procura. 
Não existem palavras, 
Apenas a troca de olhares 
O que é suficiente 
Para desestabilizar todo um planejamento. 
A partir daquele momento 
 Já não podemos andar mais sozinho, 
A liberdade se foi... 
Somos prisioneiros. 
Que coisa mais complicada. 
Acontece que, por passar situações semelhantes, 
As pessoas querem dar palpites 
Dizendo que sabe o que estamos passando... 
Sabe nada. 
Nem a outra pessoa sabe. 
Só nós sabemos o que realmente passamos 
(ou também não sabemos coisa alguma). 
A agonia de querer ser livre 
E fazer o que bem queremos. 
Mas não temos 
Nem a liberdade de escolher no que pensar. 
Outra coisa fundamental nessa questão 
É o "prejulgamento" que os externos 
Fazem da nossa situação. 
Observam o nosso semblante e, 
No ato, dizem saber o que estamos sentindo: 
"Nossa, você viu o passarinho verde? 
Está tão feliz!". 
Ou: "Poxa vida, por quem você está apaixonado?"... 
Caramba, quem disse que estou apaixonado? 
E se estou, o que tem isso? 
Pode ser que esteja feliz 
Porque passo por um momento bom de minha vida 
Onde consigo escrever o que gosto. 
Adoro falar de sentimento... 
Adoro escrever sobre o mundo, 
Sobre as divagações de um coração 
Anelante pelo prazer de ver 
As letras surgindo como se fossem automáticas... 
Sim, é isso! 
A liberdade que tanto almejo 
É aquela de poder dizer, 
Sentir e escrever o que quero 
Sem ter que lidar com esse "prejulgamento" ridículo 
Que prejudica uma alma livre como a minha. 
Notaram o paradoxo? 
Eu falo de alma livre 
E questiono a liberdade de expressão. 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Poema de amor não correspondido



Por Odair José da Silva 

Eu era ainda garoto. Mas, por algum motivo estava empolgado naquele dia. Em sala de aula o professor falou sobre alguma coisa de literatura. Depois, nos mandou fazer um texto, um poema, qualquer coisa. Era para que fizéssemos alguma coisa. Eu olhei para o outro lado da sala e fitei, por alguns segundos, aquela garota. Ela seria a minha inspiração e eu sabia o que ia escrever: um poema!

Por alguns minutos eu labutei com as palavras. Escrevia, lia e apagava. Não estava bom. Que droga! Queria ter o dom dos poetas. Queria traduzir em palavras o que o meu coração sentia. Mas, não saia nada. O tempo passava. O professor andava entre as fileiras de carteiras com as mãos cruzadas nas costas. Um olhar de reprovação. Eu tinha medo dele. Tinha dias que ele era muito bravo. Aquele, pelo jeito, não era um de seus melhores dias.

Olhei mais uma vez para a garota que, inocentemente, de cabeça curvada, escrevia o seu texto ou poema, sei lá. No que ela pensava? Pensava eu. Ela nunca me olhou. Então, com certeza, não é em mim que ela pensa. Ah! Já sei o que vou escrever. Vou fazer um poema de um amor não correspondido. E lá fui eu. Do nada as palavras foram saindo e eu construí uma epopeia sobre um amor não correspondido. Pelo menos eu pensava assim. Quando terminei a minha obra de arte eu não aguentava em mim a ansiedade. Ia chamar o professor, mostrar para ele. Ele ia ler, elogiar e falar para a turma: olha só que texto maravilhoso! E ai, ela ia ter que olhar para mim.

Chamei o professor. Chamei não, gritei. Toda sala olhou para mim. O professor se aproximou. Pegou meu texto e leu. Todos os olhares da sala estavam fitos em mim. O professor terminou de ler o texto. Fitou os olhos em mim. Fez uma careta. Amassou a folha de papel e balbuciou:

- Uma bosta!

Ela reparou em mim. Não sei se porque fiquei branco ou se porque fiquei vermelho. Uma das duas coisas aconteceu. Meus olhos encheram-se de água.

- Vê se produza algo melhor! - foi a sentença.

Quando todos saíram depois da aula eu fui no lixeiro e peguei o meu rascunho. Deitado na minha cama horas depois, eu peguei a folha de papel, desamassei-a e reli o que tinha escrito. Fechei os olhos e chorei. As lágrimas me aliviaram. Depois de muito tempo reli o texto outra vez. - Uma bosta! - pensei. Guardei a folha. Depois de muito pensar acabei dormindo.

Anos mais tarde. Voltei-me aos meus rascunhos. Alguns amarelados pelo tempo, outros comidos pelas baratas. Revisitei-os. Como é bom lembrar de tempos remotos. Uma maravilha. Minha memória fervilha. Busco cada acontecimento na esperança de lembrar porque eu escrevi aquele texto. Não me lembro da fisionomia daquela garota, nem mesmo de seu sorriso que era lindo. Não lembro daquele professor, a não ser de sua cara amarrada nos dias ruins para ele que, era quase todos. Mas, de uma coisa eu nunca me esqueço. Das lágrimas que derramei naquele dia. Do sonho que nasceu em mim naquela noite: - Ainda vou ser um grande escritor!

Pode não parecer muito, mas eu escrevo porque gosto de escrever. A escrita me liberta. E eu sou muito feliz!

Na noite de lançamento do meu terceiro livro me veio à mente toda essa história e a lembrança de que ninguém poderia destruir os meus sonhos.

Texto: Odair José da Silva