Vi no teu olhar um amor singelo,
Sem grito algum, sem pressa, sem alarde;
Era manhã pousada em céu de tarde,
Um claro fio de luz rompendo o zelo.
Não prometia o eterno ou o mais belo,
Nem juramentos feitos à covarde;
Mas tinha a calma exata de quem arde
Sem transformar o fogo em desvelo.
Teu olhar não pedia devoção,
Apenas ser abrigo no momento,
Um gesto mínimo contra a solidão.
E foi assim que, em breve movimento,
Aprendi: o amor não faz canção,
Se faz silêncio vivo dentro do vento.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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