quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Teu olhar não pedia devoção

Vi no teu olhar um amor singelo, 
Sem grito algum, sem pressa, sem alarde; 
Era manhã pousada em céu de tarde, 
Um claro fio de luz rompendo o zelo. 
 
Não prometia o eterno ou o mais belo, 
Nem juramentos feitos à covarde; 
Mas tinha a calma exata de quem arde 
Sem transformar o fogo em desvelo. 
 
Teu olhar não pedia devoção, 
Apenas ser abrigo no momento, 
Um gesto mínimo contra a solidão. 
 
E foi assim que, em breve movimento, 
Aprendi: o amor não faz canção, 
Se faz silêncio vivo dentro do vento. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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