quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Um segredo antigo

 Há momentos em que o silêncio falha. 
Não porque faz barulho, 
Mas porque deixa tudo à mostra. 
 
São instantes em que o rosto fica imóvel, 
Mas o coração se movimenta demais 
Para caber dentro do peito. 
O olhar entrega o que a boca ensaiou esconder, 
E a pausa diz mais do que qualquer confissão. 
 
Nesses silêncios, o corpo fala outra língua. 
As mãos denunciam a pressa da emoção, 
A respiração tropeça, 
E o tempo parece observar, atento, 
Como quem sabe um segredo antigo. 
 
Há sentimentos que não suportam o disfarce. 
Eles escorrem pelas frestas do agora, 
Vazam no intervalo entre uma palavra e outra, 
E se revelam justamente 
Quando tentamos parecer inteiros. 
 
Talvez porque o silêncio verdadeiro 
Não seja ausência de som, 
Mas excesso de verdade. 
E quando ela chega, 
Não pede permissão para ficar escondida. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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