Não porque faz barulho,
Mas porque deixa tudo à mostra.
São instantes em que o rosto fica imóvel,
Mas o coração se movimenta demais
Para caber dentro do peito.
O olhar entrega o que a boca ensaiou esconder,
E a pausa diz mais do que qualquer confissão.
Nesses silêncios, o corpo fala outra língua.
As mãos denunciam a pressa da emoção,
A respiração tropeça,
E o tempo parece observar, atento,
Como quem sabe um segredo antigo.
Há sentimentos que não suportam o disfarce.
Eles escorrem pelas frestas do agora,
Vazam no intervalo entre uma palavra e outra,
E se revelam justamente
Quando tentamos parecer inteiros.
Talvez porque o silêncio verdadeiro
Não seja ausência de som,
Mas excesso de verdade.
E quando ela chega,
Não pede permissão para ficar escondida.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário