Caminho sobre pontes feitas de silêncio,
Entre homens que abraçam e homens que ferem,
O mundo dividido em lâminas e flores,
Uns acendem estrelas nas noites dos outros,
Outros transformam jardins em ruínas frias.
Há mãos que repartem o pouco que possuem,
Como velas acesas contra a tempestade,
Olhares mansos que ainda reconhecem a dor,
Corações que se recusam a virar pedra,
Mesmo ouvindo o grito cruel do mundo.
Mas também existem os senhores da sombra,
Que bebem do medo e da miséria humana,
Erguem tronos sobre ossos esquecidos,
E confundem poder com eternidade,
Enquanto espalham cinzas pelos caminhos.
E nós seguimos entre extremos invisíveis,
Carregando esperança como chama frágil,
Tentando salvar o que ainda é humano,
Sobre o abismo aberto da própria existência,
Sem deixar a alma cair no vazio.
Quem sabe viver seja uma escolha diária.
Não permitir que a crueldade nos domine,
Guardar compaixão em meio às guerras,
E permanecer inteiro entre os destroços,
Como quem protege luz no coração da noite.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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