quinta-feira, 7 de maio de 2026

Caminhando sobre o abismo

Caminho sobre pontes feitas de silêncio, 
Entre homens que abraçam e homens que ferem, 
O mundo dividido em lâminas e flores, 
Uns acendem estrelas nas noites dos outros, 
Outros transformam jardins em ruínas frias. 
 
Há mãos que repartem o pouco que possuem, 
Como velas acesas contra a tempestade, 
Olhares mansos que ainda reconhecem a dor, 
Corações que se recusam a virar pedra, 
Mesmo ouvindo o grito cruel do mundo. 
 
Mas também existem os senhores da sombra, 
Que bebem do medo e da miséria humana, 
Erguem tronos sobre ossos esquecidos, 
E confundem poder com eternidade, 
Enquanto espalham cinzas pelos caminhos. 
 
E nós seguimos entre extremos invisíveis, 
Carregando esperança como chama frágil, 
Tentando salvar o que ainda é humano, 
Sobre o abismo aberto da própria existência, 
Sem deixar a alma cair no vazio. 
 
Quem sabe viver seja uma escolha diária. 
Não permitir que a crueldade nos domine, 
Guardar compaixão em meio às guerras, 
E permanecer inteiro entre os destroços, 
Como quem protege luz no coração da noite. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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