Como a luz da manhã sobre a pedra antiga.
Não traz promessas nem exigências,
Apenas a presença tranquila das coisas
Que existem sem precisar se justificar.
Por um instante desejo escapar,
Mas recordo que fugir é inútil.
Não governamos os olhos alheios,
Apenas a forma como acolhemos
Aquilo que chega ao nosso espírito.
Há beleza na singeleza do teu olhar,
Mas também uma lição silenciosa:
Tudo o que encanta é passageiro,
Como a flor que desabrocha ao amanhecer
E se entrega ao tempo sem resistência.
Observo teus olhos com calma,
Sem posse, sem temor, sem ansiedade.
O que é verdadeiro não precisa ser retido,
E o que deve partir partirá
Segundo a ordem invisível do mundo.
Se não consigo escapar desse olhar,
Também não preciso travar batalha alguma.
Aceito o instante como ele é,
E encontro na tua silenciosa presença
Um exercício de paz e contemplação.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense


