terça-feira, 1 de setembro de 2026

Tudo o que encanta é passageiro

 Teu olhar pousa sobre mim com serenidade, 
Como a luz da manhã sobre a pedra antiga. 
Não traz promessas nem exigências, 
Apenas a presença tranquila das coisas 
Que existem sem precisar se justificar. 
 
Por um instante desejo escapar, 
Mas recordo que fugir é inútil. 
Não governamos os olhos alheios, 
Apenas a forma como acolhemos 
Aquilo que chega ao nosso espírito. 
 
Há beleza na singeleza do teu olhar, 
Mas também uma lição silenciosa: 
Tudo o que encanta é passageiro, 
Como a flor que desabrocha ao amanhecer 
E se entrega ao tempo sem resistência. 
 
Observo teus olhos com calma, 
Sem posse, sem temor, sem ansiedade. 
O que é verdadeiro não precisa ser retido, 
E o que deve partir partirá 
Segundo a ordem invisível do mundo. 
 
Se não consigo escapar desse olhar, 
Também não preciso travar batalha alguma. 
Aceito o instante como ele é, 
E encontro na tua silenciosa presença 
Um exercício de paz e contemplação. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O peso das luzes apagadas

 Nasci entre vozes que chamavam de verdade 
Aquilo que apenas repetiam sem pensar. 
Olhei o mundo e encontrei uma cidade 
Onde muitos preferiam dormir a despertar. 
E me perguntei: quem sonha, quem vive, quem vê? 
 
Nas bibliotecas repousavam perguntas antigas, 
Mas a praça celebrava respostas instantâneas. 
Os livros pareciam velhas testemunhas fatigadas, 
Cercadas por multidões alegres e momentâneas. 
Talvez a solidão seja o preço da lucidez. 
 
Vi homens construindo suas identidades 
Com fragmentos de opiniões emprestadas. 
Temiam o silêncio, onde nascem as verdades, 
E enchiam os dias com certezas fabricadas. 
Há abismos que só a reflexão atravessa. 
 
A ignorância não me pareceu um crime, 
Mas uma escolha repetida até virar destino. 
Cada recusa em compreender algo sublime 
Era mais um passo para longe de si mesmo, um desatino. 
O ser humano foge de si com admirável empenho. 
 
Ainda assim, caminho entre ruínas e esperanças. 
Levo perguntas onde outros levam bandeiras. 
Não procuro respostas finais ou seguranças, 
Apenas a dignidade de enfrentar as incertezas inteiras. 
Existir é permanecer buscando luz na escuridão. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Paixão em Preto e Branco

 Ser Corinthians é carregar no peito 
Uma paixão que não conhece medida, 
É sorrir quando a bola encontra a rede, 
É sofrer quando a esperança se despede, 
E ainda assim amar no dia seguinte. 
 
Há lágrimas escondidas na camisa, 
Memórias de derrotas e conquistas, 
Gritos que atravessaram madrugadas, 
E um coração que nunca aprendeu 
A abandonar aquilo que ama. 
 
Quando o Corinthians vence, 
O mundo parece caber num abraço, 
A rua ganha outra alegria, 
E por alguns instantes esquecemos 
Que a vida também sabe machucar. 
 
Mas quando a derrota chega, 
Fica aquele silêncio dentro da alma, 
A televisão perde o brilho, 
O coração reclama do destino, 
Mas a paixão permanece intacta. 
 
Porque ser Corinthians é permanecer, 
É amar quando tudo parece perdido, 
É acreditar depois da última esperança, 
É vestir a mesma camisa outra vez 
E dizer: eu sou Corinthians, sempre. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense 
Homenagem aos 116 anos do Sport Clube Corinthians Paulista!