terça-feira, 1 de setembro de 2026

Tudo o que encanta é passageiro

 Teu olhar pousa sobre mim com serenidade, 
Como a luz da manhã sobre a pedra antiga. 
Não traz promessas nem exigências, 
Apenas a presença tranquila das coisas 
Que existem sem precisar se justificar. 
 
Por um instante desejo escapar, 
Mas recordo que fugir é inútil. 
Não governamos os olhos alheios, 
Apenas a forma como acolhemos 
Aquilo que chega ao nosso espírito. 
 
Há beleza na singeleza do teu olhar, 
Mas também uma lição silenciosa: 
Tudo o que encanta é passageiro, 
Como a flor que desabrocha ao amanhecer 
E se entrega ao tempo sem resistência. 
 
Observo teus olhos com calma, 
Sem posse, sem temor, sem ansiedade. 
O que é verdadeiro não precisa ser retido, 
E o que deve partir partirá 
Segundo a ordem invisível do mundo. 
 
Se não consigo escapar desse olhar, 
Também não preciso travar batalha alguma. 
Aceito o instante como ele é, 
E encontro na tua silenciosa presença 
Um exercício de paz e contemplação. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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