Caminho antes que o sol encontre os campos.
A relva ainda conversa com o orvalho.
Nenhuma árvore deseja ser maior do que é.
O rio não disputa espaço com as pedras.
A manhã ensina sem pronunciar uma única palavra.
A cidade mede o tempo pelos relógios.
A floresta mede o tempo pelas estações.
Ali descubro que a pressa é uma invenção humana.
Cada folha permanece fiel ao seu ciclo.
Cada vento conhece o caminho do retorno.
Possuir pouco é abrir espaço para o essencial.
O coração respira melhor quando abandona o excesso.
A riqueza da terra não cabe em moedas.
Ela se revela no voo dos pássaros,
Na sombra generosa de uma árvore antiga.
Aprendo mais com o silêncio do lago
Do que com o ruído das multidões.
A água não procura convencer ninguém.
Ela apenas reflete o céu quando está em paz.
Também a alma encontra clareza quando se aquieta.
Ao regressar, levo apenas o que não pesa.
A luz da manhã, o perfume da terra,
A certeza de que viver é um exercício de atenção.
Quem aprende a ouvir a natureza
Descobre que ela sempre esteve falando ao coração.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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