segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Antes que o sol encontre os campos

Caminho antes que o sol encontre os campos. 
A relva ainda conversa com o orvalho. 
Nenhuma árvore deseja ser maior do que é. 
O rio não disputa espaço com as pedras. 
A manhã ensina sem pronunciar uma única palavra. 
 
A cidade mede o tempo pelos relógios. 
A floresta mede o tempo pelas estações. 
Ali descubro que a pressa é uma invenção humana. 
Cada folha permanece fiel ao seu ciclo. 
Cada vento conhece o caminho do retorno. 
 
Possuir pouco é abrir espaço para o essencial. 
O coração respira melhor quando abandona o excesso. 
A riqueza da terra não cabe em moedas. 
Ela se revela no voo dos pássaros, 
Na sombra generosa de uma árvore antiga. 
 
Aprendo mais com o silêncio do lago 
Do que com o ruído das multidões. 
A água não procura convencer ninguém. 
Ela apenas reflete o céu quando está em paz. 
Também a alma encontra clareza quando se aquieta. 
 
Ao regressar, levo apenas o que não pesa. 
A luz da manhã, o perfume da terra, 
A certeza de que viver é um exercício de atenção. 
Quem aprende a ouvir a natureza 
Descobre que ela sempre esteve falando ao coração. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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