terça-feira, 1 de setembro de 2026

O peso das luzes apagadas

 Nasci entre vozes que chamavam de verdade 
Aquilo que apenas repetiam sem pensar. 
Olhei o mundo e encontrei uma cidade 
Onde muitos preferiam dormir a despertar. 
E me perguntei: quem sonha, quem vive, quem vê? 
 
Nas bibliotecas repousavam perguntas antigas, 
Mas a praça celebrava respostas instantâneas. 
Os livros pareciam velhas testemunhas fatigadas, 
Cercadas por multidões alegres e momentâneas. 
Talvez a solidão seja o preço da lucidez. 
 
Vi homens construindo suas identidades 
Com fragmentos de opiniões emprestadas. 
Temiam o silêncio, onde nascem as verdades, 
E enchiam os dias com certezas fabricadas. 
Há abismos que só a reflexão atravessa. 
 
A ignorância não me pareceu um crime, 
Mas uma escolha repetida até virar destino. 
Cada recusa em compreender algo sublime 
Era mais um passo para longe de si mesmo, um desatino. 
O ser humano foge de si com admirável empenho. 
 
Ainda assim, caminho entre ruínas e esperanças. 
Levo perguntas onde outros levam bandeiras. 
Não procuro respostas finais ou seguranças, 
Apenas a dignidade de enfrentar as incertezas inteiras. 
Existir é permanecer buscando luz na escuridão. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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