Aquilo que apenas repetiam sem pensar.
Olhei o mundo e encontrei uma cidade
Onde muitos preferiam dormir a despertar.
E me perguntei: quem sonha, quem vive, quem vê?
Nas bibliotecas repousavam perguntas antigas,
Mas a praça celebrava respostas instantâneas.
Os livros pareciam velhas testemunhas fatigadas,
Cercadas por multidões alegres e momentâneas.
Talvez a solidão seja o preço da lucidez.
Vi homens construindo suas identidades
Com fragmentos de opiniões emprestadas.
Temiam o silêncio, onde nascem as verdades,
E enchiam os dias com certezas fabricadas.
Há abismos que só a reflexão atravessa.
A ignorância não me pareceu um crime,
Mas uma escolha repetida até virar destino.
Cada recusa em compreender algo sublime
Era mais um passo para longe de si mesmo, um desatino.
O ser humano foge de si com admirável empenho.
Ainda assim, caminho entre ruínas e esperanças.
Levo perguntas onde outros levam bandeiras.
Não procuro respostas finais ou seguranças,
Apenas a dignidade de enfrentar as incertezas inteiras.
Existir é permanecer buscando luz na escuridão.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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