O mundo não explicou a razão da minha chegada.
Recebi apenas o tempo e a possibilidade de escolher.
Cada passo tornou-se uma pergunta.
Cada amanhecer, um julgamento silencioso.
Carrego o peso das decisões que ninguém tomou por mim.
Até o silêncio participa das minhas escolhas.
Não existe abrigo permanente contra a incerteza.
A liberdade também conhece o medo.
Ainda assim, continuo caminhando.
Procuro um sentido onde talvez exista apenas o caminho.
As certezas se desfazem como névoa ao sol.
Descubro que viver não é possuir respostas.
É permanecer desperto diante do desconhecido.
É aceitar que o vazio também fala.
Encontro pessoas que escondem a angústia atrás de sorrisos.
Outras vestem convicções como quem teme a noite.
Eu também conheço essa tentação.
Mas a consciência insiste em retirar cada máscara.
Ela pede apenas honestidade diante de mim mesmo.
Quando a noite cobre o mundo, permaneço atento.
Não porque encontrei a verdade definitiva.
Mas porque aprendi a habitar as perguntas.
A existência deve ser esse diálogo interminável.
E a esperança, a coragem de continuar ouvindo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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