quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O silêncio e a escolha

 Nasci sem respostas diante do horizonte. 
O mundo não explicou a razão da minha chegada. 
Recebi apenas o tempo e a possibilidade de escolher. 
Cada passo tornou-se uma pergunta. 
Cada amanhecer, um julgamento silencioso. 
 
Carrego o peso das decisões que ninguém tomou por mim. 
Até o silêncio participa das minhas escolhas. 
Não existe abrigo permanente contra a incerteza. 
A liberdade também conhece o medo. 
Ainda assim, continuo caminhando. 
 
Procuro um sentido onde talvez exista apenas o caminho. 
As certezas se desfazem como névoa ao sol. 
Descubro que viver não é possuir respostas. 
É permanecer desperto diante do desconhecido. 
É aceitar que o vazio também fala. 
 
Encontro pessoas que escondem a angústia atrás de sorrisos. 
Outras vestem convicções como quem teme a noite. 
Eu também conheço essa tentação. 
Mas a consciência insiste em retirar cada máscara. 
Ela pede apenas honestidade diante de mim mesmo. 
 
Quando a noite cobre o mundo, permaneço atento. 
Não porque encontrei a verdade definitiva. 
Mas porque aprendi a habitar as perguntas. 
A existência deve ser esse diálogo interminável. 
E a esperança, a coragem de continuar ouvindo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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