Como quem guarda um segredo antigo.
Mas dentro de mim há janelas pequenas
Abertas ao vento do teu abandono,
Onde a saudade repousa em silêncio.
Finjo-me inteiro diante das horas,
Como um ator fiel ao próprio engano.
Ninguém suspeita das sombras que moram
No fundo quieto dos meus pensamentos,
Onde teu nome ainda respira.
Há uma tristeza lenta em existir
Quando o coração aprende a ocultar-se.
Porque sentir é também dividir-se
Entre aquilo que mostramos ao mundo
E aquilo que nunca ousamos dizer.
Às vezes caminho pelas tardes
Como quem perdeu algo invisível.
Os homens passam, os dias passam,
E eu permaneço imóvel por dentro,
Preso à memória da tua ausência.
Quem sabe viver seja isto apenas,
Carregar delicadamente a falta.
Ser muitos rostos para esconder um só sofrimento,
E ainda assim conservar, na alma,
A impossível esperança do retorno.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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