domingo, 6 de setembro de 2026

Guardo esse dia comigo

 Não esqueço o encanto daquele dia, 
Quando o tempo curvou-se ao teu chegar, 
E a tarde vestiu-se de um brilho manso, 
Como se soubesse, em silêncio antigo, 
Que algo em mim estava prestes a despertar. 
 
Teus cabelos soltos ao vento dançavam, 
Como versos livres que recusam prisão, 
Havia neles um rumor de eternidade, 
Um sussurro leve, quase indecifrável, 
Que tocava fundo a pele do coração. 
 
Teu sorriso acendia a tarde inteira, 
Como um sol íntimo, sereno e gentil, 
Não era apenas luz, era caminho, 
Era promessa em forma de instante, 
Era o começo do que ainda não existiu. 
 
E teus olhos, ah, teus olhos diziam 
O que palavras jamais ousariam dizer, 
Revelavam segredos guardados no tempo, 
Como se me conhecessem de outras vidas, 
Como se já soubessem de mim antes de ser. 
 
Desde então, guardo esse dia comigo, 
Como quem protege um fogo sagrado, 
Onde o passado respira no presente, 
E a lembrança não dói, apenas pulsa, 
Eterna, viva, dentro do que fui e sou ao teu lado. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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