Um verso perdido na noite sem fim?
Carrego no peito um mundo distante,
Feito de sonhos que inventam a mim,
E dúvidas que me escrevem constante.
Sou poeta, mas pobre de certezas,
Rico apenas de sentir demais,
Faço morada nas próprias incertezas,
Construo verdades frágeis e mortais,
E ainda assim cultivo delicadezas.
Pobre sonhador, chamam-me assim,
Como se o sonho fosse fraqueza,
Mas é nele que encontro o meu jardim,
Mesmo que regado à tristeza,
Mesmo que distante de qualquer “fim”.
E então surge ela, luz improvável,
A mais bela entre o céu e o chão,
Um milagre simples, quase inalcançável,
Que faz tremer minha solidão,
E torna o impossível… desejável.
Quem sou eu para tanto amor merecer?
Talvez ninguém, e isso me basta,
Pois amar não se aprende sem compreender,
É chama que nasce e nunca se afasta,
Mesmo sem saber por que vem arder.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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