segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Quem sou eu para tanto amor merecer?

 Quem sou eu senão um sopro errante, 
Um verso perdido na noite sem fim? 
Carrego no peito um mundo distante, 
Feito de sonhos que inventam a mim, 
E dúvidas que me escrevem constante. 
 
Sou poeta, mas pobre de certezas, 
Rico apenas de sentir demais, 
Faço morada nas próprias incertezas, 
Construo verdades frágeis e mortais, 
E ainda assim cultivo delicadezas. 
 
Pobre sonhador, chamam-me assim, 
Como se o sonho fosse fraqueza, 
Mas é nele que encontro o meu jardim, 
Mesmo que regado à tristeza, 
Mesmo que distante de qualquer “fim”. 
 
E então surge ela, luz improvável, 
A mais bela entre o céu e o chão, 
Um milagre simples, quase inalcançável, 
Que faz tremer minha solidão, 
E torna o impossível… desejável. 
 
Quem sou eu para tanto amor merecer? 
Talvez ninguém, e isso me basta, 
Pois amar não se aprende sem compreender, 
É chama que nasce e nunca se afasta, 
Mesmo sem saber por que vem arder. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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