E neles meus instintos procuram abrigo.
Talvez o desejo seja apenas uma forma
De adiar o silêncio que me habita.
Ou talvez seja o silêncio quem me deseja.
Entre o querer e o não poder, existo.
Cada beijo imaginado é uma pergunta
Que o mundo jamais soube responder.
Somos corpos lançados ao acaso,
Inventando sentidos para continuar.
O desejo não absolve nem condena;
Apenas revela o abismo que carregamos.
Busco em sua boca uma resposta,
Mas encontro apenas o reflexo
Da minha própria incompletude.
Se amar é perder-se em outro ser,
Então toda paixão é um ato de vertigem.
Não há destino escrito para nós,
Somente escolhas que se tornam memória
E memórias que insistem em escolher-nos.
Quando seus lábios enfim se calam,
O universo continua indiferente.
Resta-me aceitar que viver é caminhar
Por labirintos sem saída definitiva,
Fazendo do desejo uma breve resistência ao vazio.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














