A dispersão convida os olhos para mil caminhos,
Mas nenhum deles conduz ao centro da alma.
O sábio não corre atrás de cada brilho passageiro;
Aprende a distinguir o essencial do supérfluo.
Como a rocha que permanece diante do vento,
Conserva firme a atenção sobre o que importa,
E encontra serenidade naquilo que pode governar.
Muitas vozes disputam o silêncio do espírito,
Prometendo importância às coisas efêmeras.
Mas a mente disciplinada não se torna escrava delas.
Escolhe com cuidado seus pensamentos e seus atos,
Pois sabe que a vida é feita de tempo limitado.
Quem dispersa suas horas entre sombras e ruídos
Acorda tarde para a riqueza do instante presente.
A sabedoria cresce onde a atenção cria raízes.
Não necessita de pressa, aplauso ou espetáculo.
Basta-lhe a clareza de um propósito bem escolhido.
O rio alcança o mar porque não abandona seu curso.
Assim também a pessoa que domina a si mesmo
Atravessa as inquietações do mundo sem se perder,
E encontra liberdade na ordem de sua própria mente.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














