Mas havia primavera em cada palavra tua.
Confundi promessas com destinos,
E entreguei meu coração sem desconfiança,
Como quem acredita que toda luz anuncia o amanhecer.
Teus gestos eram labirintos delicados,
Teu silêncio escondia portas sem retorno.
Enquanto eu sonhava com horizontes,
Você desenhava despedidas invisíveis,
E eu chamava de eternidade o que era apenas instante.
Aprendi que o amor não deve aprisionar,
Nem transformar esperança em sofrimento.
Quem ama de verdade não constrói armadilhas,
Mas caminhos onde duas almas caminham juntas,
Sem medo, sem máscaras e sem correntes.
Hoje recolho os pedaços daquilo que fui,
Não para lamentar o passado,
Mas para reconstruir a serenidade perdida.
As cicatrizes deixaram de ser lembranças de derrota
E tornaram-se mapas da minha própria resistência.
Se um dia o amor voltar a bater à minha porta,
Que venha sem disfarces e sem jogos.
Meu coração ainda sabe florescer,
Mas agora reconhece que o verdadeiro amor liberta
E nunca precisa de armadilhas para permanecer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














