É uma casa erguida no vazio.
Tem janelas abertas,
Mas nenhum olhar as atravessa.
As portas rangem em silêncio,
Como se esperassem um passo
Que jamais se aproxima.
É um lugar que existe
Apenas no intervalo entre a memória e o desejo.
Paredes de sombra sustentam um teto de silêncio,
E dentro dele repousa a ausência,
Como um hóspede fiel.
Não há móveis, não há vozes,
Não há cheiro de vida.
Somente a promessa de um lar
Que nunca se tornou abrigo.
E, no entanto, ali está:
Firme, intocado, resistente ao tempo,
Como se lembrasse que até o que não se cumpre
Tem a dignidade de sua forma imaginada.
O sonho não realizado não morre,
Ele persiste como casa vazia no meio do campo,
Como paisagem que o coração insiste em visitar,
Mesmo sabendo que ali não encontrará ninguém.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














