É nela que meu pensamento atravessa a tarde
Como um pássaro que desconhece fronteiras.
As ruas permanecem imóveis,
Mas dentro delas o tempo muda de direção.
Se ele encontra você, não sei quem retorna.
Talvez apenas o eco de uma pergunta antiga,
Repetida pelos corredores da memória
Onde as janelas se abrem para um céu sem resposta
E cada silêncio possui o peso de uma catedral vazia.
O coração aprende a linguagem das ausências.
Não grita; acumula poeira sobre os nomes,
Como livros esquecidos em uma biblioteca antiga.
Ainda assim, basta uma lembrança
Para que todas as páginas voltem a respirar.
Somos viajantes de instantes incompletos,
Colecionadores de encontros que nunca terminam.
Chamamos de destino aquilo que não compreendemos,
E de saudade aquilo que insiste em permanecer
Quando todas as despedidas já foram pronunciadas.
Então meu pensamento repousa onde você está,
Enquanto meu coração permanece entre dois mundos:
Um feito de passos que o tempo consome,
Outro de perguntas que nenhuma manhã dissolve.
Nesse intervalo, a vida silenciosamente nos escreve.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














