Juro que tentei
Mas não consegui descrever
A sua beleza em um poema.
Não por falta de vocabulário,
Mas por excesso de realidade.
Se tento medir tua beleza,
O verso encolhe,
A sintaxe cede,
E a tinta fica pálida
Como quem olha o sol de frente.
Há grandezas que se recusam à miniatura,
E tu és uma delas:
A escala natural do desejo,
O traço mais alto do corpo,
A geometria que insulta os cartógrafos.
O poema é uma maquete,
Enquanto tu és o edifício inteiro:
Andares de luz,
Escadas de perfume,
Varandas onde repousam tempestades.
Quando ouso te escrever,
O papel se sente inferior.
Ele sabe que nasceu para caber mundos,
Não para tentar medir o teu.
Por isso te digo sem pudor:
Não cabe beleza tua em nenhuma moldura,
Nem em métrica, nem em carne,
Nem em fotografia.
Teu tamanho é argumento contra a poesia.
E ainda assim, absurdo maior,
Sou poeta.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense




.jpg)


.jpg)






