terça-feira, 6 de outubro de 2026

Cáceres, meu lugar no mundo

 Nasci onde o tempo parece conversar com as águas, 
Onde o Rio Paraguai leva histórias em seu silêncio, 
Onde cada rua guarda um pedaço da minha infância, 
E cada esquina conhece um pouco dos meus sonhos. 
Cáceres não foi apenas o lugar onde cheguei ao mundo, 
Foi o mundo que aprendi primeiro a amar. 
 
Amo suas manhãs, mesmo quando o sol se demora, 
Suas praças, suas casas antigas, suas lembranças, 
O cheiro das tardes que ficaram presas na memória, 
As vozes que o tempo levou, mas nunca apagou. 
Há uma cidade dentro de mim que não envelhece, 
E ela tem o nome bonito de Cáceres. 
 
Posso partir, conhecer estradas desconhecidas, 
Deixar meus passos encontrarem outras paisagens, 
Mas nenhuma distância consegue levar de mim 
Aquilo que nasceu junto com os meus primeiros dias. 
Porque há lugares que pertencem à geografia, 
E há lugares que pertencem para sempre à alma. 
 
Se um dia perguntarem de onde vem meu amor, 
Não precisarei procurar palavras complicadas: 
Direi apenas que nasci em Cáceres, 
E algumas raízes não aceitam ser arrancadas. 
Enquanto houver memória e poesia em meus olhos, 
Cáceres será sempre meu lugar no mundo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense 
Homenagem aos 248 anos de Cáceres, MT

Neste século de pomposa fantasia

 Neste século de pomposa fantasia, 
Onde tudo tem preço e locação, 
Vende-se a honra, aluga-se a opinião, 
Troca-se a alma por breve regalia; 
E o homem, que se julga em soberania, 
Vive preso à dourada servidão, 
Fazendo da cobiça sua religião. 
 
Já não se busca o bem, mas a aparência, 
Já não se estima a virtude constante; 
Vale mais o brilho falso e cintilante 
Que o suor da honrada consciência. 
Ó mundo! Que tamanha decadência, 
Que faz do vício um trono triunfante 
E do sensato um pobre caminhante. 
 
Alugam-se os afetos mais profundos, 
Os sorrisos, os gestos e a atenção; 
Cada qual traz à mostra o coração, 
Mas o guarda distante dos segundos. 
São ricos de aparências estes mundos, 
Porém pobres de fé e convicção; 
Muito rumor e pouca comunhão. 
 
Mas que importa ao sábio tal costume? 
Se tudo passa, passe a ilusão; 
Não se prende à fumaça sua mão, 
Nem se curva ao capricho que presume. 
Busca em si uma luz que não se consume, 
Faz da prudência sua habitação 
E da verdade a sua possessão. 
 
Assim concluo, em verso desabrido: 
Quem faz do efêmero seu fundamento, 
Encontrará no tempo o esquecimento; 
Quem vive apenas para ser servido, 
Partirá deste mundo tão despido 
Quanto chegou ao breve alojamento, 
Levando só seu ato e pensamento. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Ninguém vai dizer ao coração

 Ninguém vai dizer ao coração 
Que a paixão não passa de um truque barato. 
Ele já ouviu isso antes, 
Em bares esfumaçados, 
Em apartamentos vazios, 
Na voz rouca de amigos derrotados 
Que confundiam cicatrizes com sabedoria. 
 
O coração escuta, 
Mas raramente aprende. 
Ele vê uma pessoa, 
Um sorriso, 
Um gesto qualquer numa tarde comum, 
E de repente transforma aquilo 
Numa razão para continuar respirando. 
 
É ridículo. 
E é exatamente por isso 
Que seja tão humano. 
Os sensatos fazem listas, 
Calculam probabilidades, 
Levantam muralhas ao redor de si. 
Depois envelhecem. 
E um dia descobrem 
Que sobreviveram a todos os riscos, 
Mas também sobreviveram 
A quase toda a vida. 
 
O coração não quer saber dessas coisas. 
Ele prefere perder. 
Prefere cair de cara no chão. 
Prefere passar noites acordado 
Olhando para o teto 
E inventando futuros impossíveis. 
Porque existe algo pior 
Do que ser chamado de louco. 
É nunca ter acreditado em nada. 
 
É passar pela vida 
Como quem atravessa uma estação de trem 
Sem comprar passagem, 
Sem embarcar, 
Sem se despedir de ninguém. 
 
Então deixe o coração em paz. 
Ele sabe que pode quebrar. 
Sabe que provavelmente vai. 
Mas continua apostando suas últimas moedas 
Na mesa do amor, 
E há uma estranha dignidade nisso. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Palavras que a alma escreve em silêncio

 Há poemas que não nascem para serem lidos, 
Mas para serem sobrevividos. 
São palavras que a alma escreve em silêncio, 
Não porque queira mostrar suas feridas, 
Mas porque precisa impedir que elas apodreçam por dentro. 
 
Às vezes escrevo poemas sombrios 
Que não desejo dividir com ninguém. 
Não porque sejam vergonhosos, 
Mas porque existem sentimentos 
Que perdem a proteção quando ganham testemunhas. 
 
Escrevo aquilo que preciso escrever, 
Mesmo aquilo que não gostaria de sentir. 
Talvez porque o papel seja mais paciente que o coração 
E aceite aquilo que a boca jamais confessaria. 
 
Há versos que são quartos escuros 
Onde escondo pensamentos que não quero encontrar. 
Entro neles apenas para escrever, 
Deixo algumas palavras sobre a mesa 
E saio antes que a tristeza descubra meu nome. 
 
Meu poema nem sempre é aquilo que sou; 
Às vezes é aquilo que temo ser, 
Aquilo que poderia sentir, 
Aquilo que passou por mim como uma sombra 
E deixou sua marca antes de desaparecer. 
 
Por isso nem todo poema pede leitores. 
Alguns pedem apenas silêncio. 
São escritos para que a dor tenha uma saída, 
Para que o pensamento não se transforme em prisão 
E para que o poeta consiga continuar respirando. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O que existe nesse olhar?

Na hora indecisa entre a tarde e a noite, 
Quando as sombras se acumulam nos cantos da memória 
E os relógios repetem suas pequenas eternidades mecânicas, 
Teu olhar atravessa a sala como uma pergunta antiga. 
Não uma pergunta que exige resposta, 
Mas uma que permanece suspensa 
Entre o que fomos e o que jamais seremos. 
 
As ruas continuam seu murmúrio de passos anônimos, 
Os postes acendem sua luz fatigada sobre o asfalto, 
E eu caminho entre vitrines, notícias e calendários. 
Contudo, algo me acompanha: 
A lembrança daquele olhar simples, 
Mais persistente que os sinos distantes 
E mais silencioso que a poeira sobre os livros esquecidos. 
 
O mundo fragmenta-se em imagens dispersas: 
Uma janela iluminada, um banco vazio, 
O eco de uma conversa perdida no vento. 
Mas teus olhos reaparecem entre os fragmentos, 
Como um verso incompleto encontrado 
Nas margens de um manuscrito envelhecido, 
Insistindo em sobreviver ao esquecimento. 
 
E pergunto, como quem interroga as ruínas: 
O que existe nesse olhar tão desarmado? 
Que estranha gravidade habita sua doçura? 
Pois não há promessa, nem juramento, nem destino, 
Apenas a delicada evidência de uma presença 
Que transforma o instante mais comum 
Num corredor aberto para o infinito. 
 
Permaneço, entre o tempo e sua erosão, 
Escutando o rumor das horas que passam. 
E enquanto a noite fecha suas portas sobre a cidade, 
Teu olhar continua aceso na memória, 
Como uma pequena chama guardada entre destroços, 
Iluminando por um momento 
A vastidão silenciosa da existência. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Onde tudo é agora

 Há olhares cansados que contam os dias como moedas gastas, 
E acreditam que o tempo é um senhor de verdades absolutas, 
Mas apenas repetem o eco de uma mentira bem vestida. 
Veem rugas onde há histórias, 
Veem fim onde há transformação, 
Veem atraso onde há silêncio fecundo, 
E assim se perdem na superfície dos instantes. 
 
O tempo passa, dizem, como se fosse um rio inevitável, 
Mas esquecem que também somos água que sente o curso, 
E não apenas margem que observa a fuga das horas. 
Há quem viva aprisionado em calendários, 
Como se a vida fosse uma soma de datas alinhadas, 
E não um incêndio secreto ardendo fora da contagem, 
Um sopro eterno escondido no breve. 
 
Quem sabe seja preciso trair o tempo com delicadeza, 
Fechar os olhos ao seu império de números e ciclos, 
E reaprender a ver com a alma despida de pressa. 
Pois o instante verdadeiro não se mede, 
Ele se revela como um abismo luminoso, 
Onde tudo é agora e nada se perde, 
E o olhar, enfim, deixa de mentir para si mesmo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 4 de outubro de 2026

No lugar onde a saudade mora

 A tarde caiu sobre meus ombros 
Com o peso das lembranças esquecidas. 
Teu nome atravessou o silêncio 
Como uma folha levada pelo vento, 
E meu coração compreendeu 
Que algumas despedidas 
Nunca terminam. 
 
A casa continua de pé, 
Mas há janelas que nunca mais se abriram. 
Os retratos envelheceram na parede, 
O relógio insiste em caminhar, 
E eu permaneço parado 
Na última palavra 
Que não consegui dizer. 
 
Às vezes converso com a ausência. 
Ela responde com ecos, 
Com o perfume distante de um tempo feliz, 
Com a sombra dos teus passos 
Atravessando os corredores da memória. 
Então descubro 
Que a saudade também tem voz. 
 
As noites tornaram-se longas, 
Feitas de estrelas que já não iluminam. 
O céu parece guardar segredos 
Que nunca serão revelados, 
Enquanto meus olhos procuram, em vão, 
O brilho que encontravam 
Nos teus. 
 
Se algum dia o vento te alcançar, 
Leva contigo este silêncio. 
Ele nasceu do amor, 
Cresceu na espera 
E amadureceu na dor. 
Pois há corações que continuam amando 
Mesmo quando aprenderam a viver sozinhos. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

A serenidade da noite

 É noite e o vento não consulta meus desejos antes de soprar. 
O rumor de germes insalubres atravessa a escuridão como um aviso da natureza. 
Meu coração aprende que nem toda batalha pode ser vencida pela força. 
Há acontecimentos que pertencem ao destino e outros que pertencem à escolha. 
Não posso governar o mundo, mas posso governar minha consciência. 
As pessoas não me escutam, e isso já não determina o valor da minha verdade. 
Basta-me permanecer íntegro diante do silêncio. 
 
A indiferença dos homens é semelhante à chuva que cai sobre justos e injustos. 
Quem espera reconhecimento torna-se prisioneiro das expectativas alheias. 
Quem cultiva a virtude encontra abrigo dentro de si mesmo. 
A noite não é inimiga daquele que conhece a própria luz. 
As palavras esquecidas pelo mundo ainda são testemunhas do caráter de quem as pronunciou. 
Aceito o que não posso mudar com a serenidade dos antigos sábios. 
E transformo cada dor em exercício de fortaleza. 
 
Quando a aurora vier, não pedirei que o universo seja diferente. 
Pedirei apenas que minha alma permaneça firme diante do que vier. 
Que a razão conduza meus passos antes que as emoções os precipitem. 
Que o coração devastado não se converta em coração amargo. 
Que eu saiba ouvir o silêncio sem me tornar vazio. 
Pois a verdadeira vitória não está em convencer os homens, mas em vencer a si mesmo. 
E essa conquista nenhuma noite poderá obscurecer. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 3 de outubro de 2026

A máscara do poder

 Antes da eleição, 
O candidato aperta mãos, abraça crianças, 
Entra em casas humildes 
E chama desconhecidos de amigos. 
Depois da eleição, 
Algumas portas se fecham, 
Alguns telefones deixam de atender 
E aqueles que eram chamados de “povo” 
Voltam a ser apenas números. 
O poder tem uma estranha capacidade, 
Revela aquilo que a campanha escondia. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O Evangelho do último papel

 Depois do fim, 
Quando as cidades viraram poeira 
E o ar cheirava a ferrugem e cinza, 
Houve um instante em que tudo ficou quieto, 
Nenhum som de máquina, 
Nenhum pulso azul de tela. 
 
O mundo morreu com um estalo. 
O silício queimou em seu próprio brilho, 
E os servidores, como templos antigos, 
Desabaram sob o peso do esquecimento. 
A eletricidade evaporou-se 
Como a alma de um deus cansado. 
 
Mas algo ficou. 
Entre os escombros das bibliotecas digitais, 
Entre carcaças de plástico e vidro, 
Repousava um livro, 
Amarelado, ferido, 
Cheirando a tempo e chuva. 
 
E quando mãos humanas, já raras, 
O abriram, 
Um sopro levantou-se do papel, 
Como se o próprio mundo respirasse de novo. 
 
As palavras tremiam, 
Não de medo, mas de memória. 
Falavam de mares e crianças, 
De sol e esquecimento, 
De como o homem criou o fogo, 
E depois o fogo o consumiu. 
 
Não havia mais eletrônicos, 
Nem sinais, nem códigos. 
A linguagem voltou a ser carne, 
A escrita, sangue seco sobre a terra. 
 
E o livro, o último sobrevivente, 
Olhou o horizonte calcinado 
E sussurrou: 
“Eu avisei. 
Eu sempre avisei.” 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A ilusão de mil vidas

A dispersão chega cedo. 
Ela está no rádio ligado sem motivo, 
Na garrafa esquecida sobre a mesa, 
Nas manchetes que você lê 
E esquece cinco minutos depois. 
Ela gosta de apartamentos apertados, 
De noites mal dormidas, 
De gente que troca de sonho 
Como quem troca de camisa. 
 
A sabedoria não faz propaganda. 
Fica sentada num canto, 
Observando em silêncio, 
Esperando que você se canse 
De correr atrás de tudo. 
 
E você corre. 
Corre atrás de dinheiro, 
De elogios, 
De notícias, 
De rostos, 
De qualquer coisa que o impeça 
De ouvir o barulho dos próprios pensamentos. 
 
Uma hora a festa acaba. 
A tela escurece, 
O bar fecha, 
Os amigos vão embora, 
E sobra você 
Encarando a si mesmo 
Como um estranho no espelho. 
 
É aí que a sabedoria aparece. 
Não como uma santa, 
Não como uma professora, 
Não como uma voz vinda do céu. 
Aparece como um soco simples. 
Você passou anos olhando para todos os lados 
E nunca olhou direito para dentro. 
 
Então a resposta é revelada. 
Escolha uma coisa que importe. 
Fique com ela. 
Suporte o tédio. 
Suporte o silêncio. 
Porque a dispersão vende a ilusão de mil vidas, 
Mas a sabedoria nasce 
Quando você finalmente aprende 
A habitar a sua. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Te encontro onde não estás

 Ainda passo pelos lugares onde estavas 
Como quem espera um milagre cotidiano. 
Um vulto familiar na esquina, 
Um perfume antigo no vento, 
Um gesto teu em mãos estranhas. 
 
Mas tu não vens. 
E eu sei. 
Sempre soube. 
 
O tempo fechou a porta que eu deixei entreaberta, 
E agora ela range só por hábito, 
Como um coração que insiste 
Em bater por quem já partiu. 
 
Te procuro nas coisas pequenas. 
Numa música esquecida, 
Na sombra que o outono lança sobre a calçada, 
No silêncio exato entre duas palavras tristes. 
 
Às vezes sonho que volto a te ver, 
Mas é sempre de costas, 
Sempre indo, 
Sempre além do que posso tocar. 
 
Nos meus braços só o vazio. 
Na minha boca, o nome que não chamo mais. 
Mas que ainda sussurro, 
Como quem conversa com fantasmas 
E pede perdão por ter amado tarde. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Te vejo

 Te vejo, e o desejo se levanta, 
Feito chama que o olhar acende e guia; 
Na curva do teu gesto, a noite canta, 
E em teu silêncio arde a fantasia. 
 
Há nos teus olhos febre que me encanta, 
Um caos sereno em doce rebeldia; 
Loucura que seduz, que não se espanta, 
E em mim desperta a mesma ousadia. 
 
Eu sei do risco oculto no teu riso, 
Do abismo belo que me chama e quer, 
A queda suave em teu estranho aviso. 
 
Mas sigo, porque ao te ver, mulher, 
Prefiro o erro intenso e impreciso 
A nunca me perder no que tu és. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Quando me olhas

Os teus olhos falam antes do som, 
Dizem o que o silêncio guarda, 
Revelam o que a boca teme. 
 
Neles, o tempo se curva, 
Há memórias que ainda respiram, 
Há segredos que ardem devagar. 
 
Quando me olhas, o mundo se desfaz 
Em um instante de verdade sem nome.  
Nenhuma palavra alcança 
O que o teu olhar confessa. 
 
Há universos inteiros 
Na distância entre um piscar e outro, 
E é lá, nesse breve abismo, 
Que eu aprendo o idioma do teu silêncio. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Pense antes de agir

 A verdade é que a maioria das dores 
Não chega montada num cavalo negro, 
Não arromba a porta, 
Não anuncia sua chegada. 
 
Ela começa pequena. 
Um copo a mais, 
Uma palavra cuspida na cara de alguém, 
Uma assinatura apressada, 
Um amor escolhido pela carência 
E não pela lucidez. 
 
Depois você acorda anos mais tarde 
Olhando para o teto, 
Perguntando ao ventilador, 
Às manchas da parede, 
Aos fantasmas do quarto: 
"Como fui parar aqui?" 
Mas a vida não responde. 
 
A vida apenas mostra os recibos. 
Cada escolha tem um preço, 
E o caixa está sempre aberto, 
Mesmo quando você finge 
Que não está comprando nada. 
 
Os velhos sabem disso. 
Não porque sejam santos, 
Nem porque tenham vencido, 
Mas porque carregam cicatrizes suficientes 
Para reconhecer uma faca antes do corte. 
 
Então sente-se por um momento. 
Abra um livro imaginário, 
Olhe pela janela, 
Deixe a pressa morrer um pouco. 
O amanhã já trará dores suficientes. 
Não convide outras desnecessárias 
Para entrar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense