Tentando definir o amor,
E mais dez mil poderia desenvolver
Se ainda tivesse vigor.
Escreveria sobre o silêncio
Que diz mais que qualquer palavra,
Sobre o olhar que encontra outro olhar
E, sem perceber, o coração destrava.
Escreveria sobre a saudade,
Essa presença que dói na ausência,
Sobre a lembrança que permanece
Quando o tempo apaga a aparência.
Escreveria sobre o abraço
Que transforma distância em abrigo,
Sobre duas almas que, por um instante,
Fazem do mundo um lugar mais antigo.
Escreveria sobre o medo
De amar e não ser correspondido,
Sobre a coragem de permanecer
Mesmo quando o amor parece perdido.
E depois de tantos poemas,
De tantas metáforas e versos,
Talvez eu finalmente compreendesse
Que o amor não cabe em nenhum universo.
Porque o amor não se explica:
Acontece, invade e permanece.
É palavra que nunca termina,
É pergunta que nunca envelhece.
Por isso, mil poemas escreveria
E outros tantos escreveria depois;
Pois quanto mais tento definir o amor,
Mais descubro que ele começa em nós dois.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














