Com os que te oferecem o aplauso fácil,
O consenso raso,
O abrigo da mediocridade.
Andar com quem te desafia
É escolher o desconforto da lucidez,
É aceitar o espelho sujo que te lançam ao rosto,
É ter a coragem de olhar para dentro
E não gostar do que vê…
Ainda assim, prosseguir.
Existe uma vertigem própria
Para os que ousam pensar,
Uma solidão que queima
E uma liberdade que pesa.
Mas é nela que o ser se refaz,
Rasgando as vestes da ignorância herdada,
Negando o eco das vozes coletivas
Que apenas repetem, sem saber o porquê.
Cúmplice da ignorância?
Jamais.
Antes o silêncio lúcido,
Antes o exílio da aceitação fácil,
Antes o risco de ser estranho,
Incompreendido,
Solitário…
Mas íntegro.
Porque crescer é arder.
É morrer para o que fomos,
E renascer,
Sem garantias,
Sem roteiro,
Sem rede.
Por fim, nessa trajetória,
Que reste ao menos a dignidade
De não ter feito parte do coro dos adormecidos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














