As estantes tornam-se jardins sem visitantes,
E a poeira aprende os nomes dos autores esquecidos.
As páginas permanecem abertas para o impossível,
Mas os olhos passam apressados diante dos milagres.
O mundo continua falando sem cessar,
Enquanto a sabedoria aguarda em silêncio.
Os livros guardam o fogo de muitas gerações,
Vozes que atravessaram séculos para nos alcançar.
Mas quem escuta apenas o ruído do instante
Já não percebe o sussurro dos antigos viajantes.
Assim, as perguntas tornam-se menores que os medos,
E os horizontes encolhem sem que ninguém perceba,
Como um rio que seca lentamente sob o sol.
Ainda assim, os livros não se desesperam.
Permanecem imóveis como velhas árvores,
Oferecendo sombra a quem desejar repouso.
Sabem que toda época produz seu próprio cansaço,
E que toda alma, um dia, procura profundidade.
Então aguardam, pacientes como as estrelas,
O retorno daqueles que aprenderão novamente a ler.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














