Como quem contempla um rio antes da travessia.
Não conhecia o peso das tempestades,
Mas o sol já me ensinava, em silêncio,
Que cada dia basta a si mesmo.
Eu queria alcançar o mundo inteiro,
Sem perceber que o maior reino é o domínio de si.
O destino não pergunta pelos nossos desejos;
Apenas oferece o caminho,
E espera que caminhemos com firmeza.
Vieram perdas, dúvidas e despedidas.
O tempo levou o que não podia permanecer,
Mas deixou aquilo que nenhuma força arranca:
A virtude de recomeçar
E a serenidade diante do inevitável.
Hoje agradeço aos sonhos daquele menino,
Não porque todos tenham florescido,
Mas porque ensinaram meu coração
A desejar com esperança
E a aceitar com sabedoria.
Se ainda caminho em direção ao futuro,
Já não é para vencer o tempo,
Mas para honrar cada passo que ele me concede.
Quem aprende a governar a própria alma
Descobre que sempre esteve em casa.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














