E eu, distraído pelas urgências da vida,
Não percebia que havia um universo inteiro
Esperando por um simples encontro de olhares.
Hoje compreendo que algumas oportunidades
Não chegam fazendo barulho.
Elas se apresentam em silêncio,
Escondidas na delicadeza de quem nos admira.
Perdi o tempo em que teu olhar
Falava aquilo que teus lábios não ousavam dizer.
Enquanto eu contava os dias,
O coração desperdiçava instantes
Que jamais voltarão.
Há arrependimentos que não nascem
Por aquilo que fizemos,
Mas por aquilo que deixamos de viver.
E talvez o maior deles
Seja descobrir tarde demais
Que alguém nos enxergava
Com uma beleza
Que nunca fomos capazes
De reconhecer em nós mesmos.
Se pudesse voltar,
Não mudaria o relógio,
Mudaria a atenção.
Porque o amor, muitas vezes,
Não pede promessas grandiosas;
Pede apenas coragem
Para sustentar um olhar
Que nos convida a permanecer.
Hoje, quando o tempo me visita,
Ele não me acusa.
Apenas me lembra que os segundos
Levam consigo as oportunidades
Que a hesitação deixou escapar.
E aprendi, enfim,
Que o tempo perdido
Não está apenas nos anos que passaram,
Mas nos olhares que evitamos,
Nos sentimentos que ignoramos
E nas histórias que poderiam ter começado
Com um simples gesto de reciprocidade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














