quarta-feira, 2 de abril de 2025

Vou insistir

Vou insistir, 
Mesmo que o vento sussurre o contrário, 
Mesmo que a sombra do medo me cerque. 
 
Vou insistir, 
Porque a mudança é brisa que refresca, 
É sol que rompe a neblina espessa. 
 
Vou insistir, 
Em cada passo, em cada olhar, 
Até encontrar o antídoto 
Para minha paranóia se dissipar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 1 de abril de 2025

Ela é

Ela é 
Como um pôr do sol refletido no mar 
Tão bela 
Que o tempo parece prender a respiração 
Só para admirá-la. 
 
Seu riso é um poema 
Que ecoa no silêncio do mundo, 
Um verso que faz 
Até os dias mais comuns 
Parecerem extraordinários. 
 
Olhar para ela 
É como observar a lua cheia. 
Há um mistério que nunca se desfaz, 
Uma luz suave que ilumina sem ferir. 
 
Cada gesto seu 
É uma melodia que se escreve no ar, 
Um instante fugaz de beleza 
Que eu tento eternizar com os olhos. 
 
E quando ela sorri, 
O universo todo parece se reorganizar, 
Como se até as estrelas 
Buscassem formas de brilhar à sua altura. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 31 de março de 2025

Sem sentido

Essa despedida sem sentido 
É como um vento que sopra sem direção, 
Uma carta escrita sem destinatário, 
Uma vela acesa sob o sol do meio-dia. 
 
É um adeus que ecoa no vazio, 
Um nó que se desata 
Sem nunca ter sido atado, 
Um trem que parte sem jamais ter chegado. 
 
Talvez seja apenas o tempo 
Brincando de ilusão, 
Ou a vida 
Tentando nos ensinar que algumas partidas 
Não têm explicação — apenas silêncio. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 30 de março de 2025

Quando me olhas

Nos teus olhos, vejo mais do que luz— 
Vejo o céu inteiro, vejo a minha alma. 
O brilho que dança na tua íris 
Não é só reflexo, é entrega, é chama. 
 
Quando me olhas, o tempo se dobra, 
O mundo se cala, o amor se revela. 
Sou um rio que corre para teu brilho, 
Um verso perdido na tua aquarela. 
 
Se o amor tem forma, se o amor tem cor, 
Ele mora no reflexo que vem de ti. 
Pois quando me vejo nos teus olhos, 
Descubro que sempre estive ali. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 29 de março de 2025

O homem eterno

O homem eterno 
É um eco do infinito, 
Um sopro de luz 
Aprisionado no cárcere da carne. 
Sua alma, imortal e errante, 
Veste-se de tempo 
E esquece-se do seu verdadeiro nome. 
 
Cada batida do coração 
É um chamado para o alto, 
Um lamento silencioso 
Da eternidade que habita o transitório. 
 
Os ossos são grades, 
A pele é véu, 
E os olhos, ainda que janelas, 
Mal vislumbram 
A vastidão que os aguarda 
Além do horizonte do corpo. 
 
O homem eterno sonha com asas, 
Mas anda com pés de barro. 
Busca na matéria a centelha do divino 
E, ao encontrá-la, 
Percebe que ela 
Sempre ardeu dentro de si. 
 
Na despedida da carne, 
Ele se reencontra. 
O cárcere se desfaz, 
E a alma, enfim livre, 
Retorna à melodia do cosmos, 
Onde nunca deixou de estar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O rei amaldiçoado e o homem só

O rei amaldiçoado 
Veste sua coroa de espinhos invisíveis, 
Cada joia um peso de mil lamentos. 
O trono que ergueu com glórias passadas 
Agora é um cárcere de ouro frio, 
Onde os ecos de antigos juramentos 
Se tornam espectros a assombrá-lo. 
 
E o homem só, 
Errante entre os campos do destino, 
Caminha sob luas indiferentes. 
Sem coroa, sem trono, 
Carrega apenas o silêncio como cetro 
E a liberdade como fardo. 
Pois há prisões no poder 
E há prisões na solidão — 
Mas qual delas é a mais cruel? 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 28 de março de 2025

A chegada

Chegaste de forma singela 
Quase não a percebi 
Mas ali estava tu 
A imagem da beleza sútil 
Que dominou minha insensatez. 
 
O dia nem lembro como era 
Porque o tempo parou 
Tudo que consegui perceber 
Foi a singeleza do seu olhar 
O encanto que inebriou-me. 
 
Tudo era solidão 
Perto de mim o medo inconsciente 
A ilusão de amores perdidos 
E o amargo pesadelo 
De outra vez me apaixonar. 
 
Mas não havia nada a ser feito 
Nada que eu pudesse fazer 
Senão curvar-me diante de ti 
Deusa da minha imaginação 
O amor que sonhei a vida toda. 
 
E você chegou assim 
Quando eu menos esperava 
Você sorriu para mim 
E isso fez toda diferença na minha vida 
E preencheu o meu coração. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 26 de março de 2025

O paradoxo da urgência

Corremos, corremos, sem pausa ou porquê, 
Mas nunca nos perguntamos: corremos pra quê? 
O tempo escorrega entre dedos aflitos, 
E os dias se perdem em passos restritos. 
 
O agora sufoca, o amanhã nos consome, 
O relógio nos grita, nos cobra, e some. 
A pressa é constante, o destino é nublado, 
Um ciclo infinito, um rumo apressado. 
 
Queremos o topo, queremos o mais, 
Mas quando chegamos, queremos a paz. 
A paz que deixamos, perdida na estrada, 
Trocada por metas, e uma agenda lotada. 
 
Se o tempo é dinheiro e a pressa é um vício, 
Quem dita o preço desse sacrifício? 
Se o fim é incerto e a pressa um engano, 
Por que não sermos um pouco mais humano? 
 
Então eu te pergunto, em meio a essa corrida: 
Que tal desacelerar e sentir um pouco a vida? 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 25 de março de 2025

Entre os cacos

Num mundo que corre, sem pausa, sem freio, 
Onde a pressa devora até mesmo o anseio, 
Ousar perguntar é quase um perigo, 
Um ato rebelde, um salto ao abismo. 
 
O ruído se ergue em muralha espessa, 
Atropela verdades, dilui a promessa. 
Mas quando o eco se faz insuportável, 
O silêncio se ergue, firme, incontestável. 
 
E quando as certezas caem por terra, 
Feito vidro partido no chão da espera, 
O pensamento, descalço, caminha entre os cacos, 
Tateando o novo em meio aos destroços. 
 
Pois só quem se perde entre mil incertezas 
Descobre que a dúvida é sua fortaleza. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 23 de março de 2025

Justiça

 A justiça veste um véu que o vento descobre, 
Mas seus olhos, cegos, ainda hesitam. 
Vem a cavalo, dizem, mas tropeça em pedras 
Que a injustiça semeia pelo caminho. 
 
Nos tribunais, a balança inclina-se, 
Não pelo peso da verdade, 
Mas pelo ouro que lhe é posto na mão. 
As palavras da lei são frias, 
Mas o que buscamos é fogo,
Justiça que arde, que pulsa, que vive. 
 
Anoitece, e as sombras sussurram 
O que ninguém ousa explicar. 
Não há justiça na casa da justiça, 
Pois ali, a verdade é só um eco distante, 
Perdido entre os corredores do poder. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Simplicidade

A flor desabrocha sem perguntas, 
O rio corre sem dúvida, 
Mas nós — ah, nós — 
Carregamos o peso do porquê 
E esquecemos de apenas ser. 
 
Talvez a simplicidade 
Seja aceitar o instante, 
Permitir-se fluir, 
Como a brisa que não teme o amanhã. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O paradoxo da existência

Há uma voz que ecoa no silêncio, 
Grita nas sombras, mas ninguém a escuta. 
É o canto da verdade amarga, 
O lamento dos invisíveis, 
O verbo esquecido antes de ser dito. 
 
O poeta vê o tempo ao contrário, 
Sente o amanhã como quem lê as veias do vento. 
Cada palavra escrita é um destino moldado, 
E no caos da metáfora, 
Um mundo nasce antes de existir. 
 
O fim não tem pressa, 
Não se dobra aos caprichos da vontade. 
Mesmo quando enterramos as memórias, 
Elas florescem sob a terra, 
Teimando em ser eternas. 
 
O vento sopra e sopra outra vez, 
Como um sonho inalado pelo divino. 
Seus dedos invisíveis tocam a pele do mundo, 
Viciados em movimento, 
Inebriados pela dança do eterno. 
 
A simplicidade de existir é um paradoxo: 
Tão leve quanto o vento que dança, 
Tão densa quanto o silêncio que pesa. 
Ser é um ato tão natural quanto respirar, 
Mas a consciência nos enreda em labirintos 
Onde buscamos significados 
Para aquilo que já é inteiro. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 21 de março de 2025

A chaga oculta

No silêncio das sombras frias, 
Tece-se o fio da traição. 
Mãos que juraram justiça, 
Vendem-se ao ouro da ilusão. 
 
Sonhos se tornam ruínas, 
Honra se perde no mar, 
Onde moedas afundam consciências, 
E a verdade deixa de brilhar. 
 
Cada pacto selado no escuro 
Rouba o pão de quem tem fome. 
Cada mentira bem dita 
Apaga histórias, apaga nomes. 
 
Mas o tempo, senhor do destino, 
Sabe pesar cada ação. 
A justiça pode ser lenta, 
Mas sempre encontra a razão. 
 
E quando as máscaras caírem, 
E o véu da farsa ruir, 
O que restará dos corruptos, 
Senão o eterno exílio do porvir? 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 20 de março de 2025

O que é poesia?

Poesia é vento que dança no ar, 
É onda que vem sem avisar, 
É riso e lágrima, luz e luar, 
É tudo e nada num só respirar. 
 
É voz do silêncio, som do sentir, 
É chama que arde sem se exibir, 
É traço invisível, eterno a insistir, 
É o mundo inteiro num breve existir. 
 
É pássaro livre, é sonho acordado, 
É tempo suspenso num verso bordado, 
É rima que embala, é dor que conforta, 
É porta entreaberta para outra porta. 
 
Poesia é vida que pulsa no peito, 
É alma despida, sem medo, sem jeito, 
É arte, mistério, encanto e magia... 
A poesia? Ah... a poesia! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 19 de março de 2025

É veneno o teu encanto

 Teu olhar, centelha ardente, 
Queima a alma, prende a mente, 
Num feitiço tão sutil, 
Que vicia, é doce, é vil. 
 
Teu toque, brisa envenenada, 
Suave, leve, enlaçada, 
Entre beijos e meu egoísmo, 
Deixo-me cair no abismo. 
 
E se é veneno o teu encanto, 
Bebo a taça sem espanto, 
Pois morrer de amor assim, 
É um destino bom pra mim. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense