Onde nenhuma voz interrompe o pensamento,
Onde os olhos caminham sem desvios impostos,
E a imaginação não precisa pedir licença.
Esse lugar, por enquanto, ainda é um livro.
Lá, as páginas não disputam nossa atenção,
Nem prometem milagres em poucas prestações.
Elas apenas se abrem, discretas,
Esperando que o leitor encontre
Aquilo que sempre procurou dentro de si.
Do lado de fora, o mundo ergue vitrines infinitas,
Cada tela transformada em um balcão de desejos.
Tudo parece ter um preço,
Menos a emoção que nasce
Quando uma palavra toca a alma.
Um livro não vende urgências,
Oferece permanências.
Não nos convence a consumir,
Mas nos convida a compreender
O mistério de existir.
Que nunca desapareça esse último refúgio,
Onde o pensamento ainda é soberano,
A liberdade continua impressa em papel,
E cada página recorda ao homem
Que há riquezas impossíveis de anunciar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














