Trazendo formas que não posso explicar.
Não discuto com aquilo que não controlo;
Apenas observo suas passagens silenciosas
Como quem contempla nuvens sobre o rio.
Às vezes imagino monstros sem nome,
Ou talvez eles imaginem a mim.
Mas pouco importa a origem do medo
Quando o dever permanece o mesmo:
Manter firme a mão que escreve.
A razão é uma pequena chama,
Não capaz de expulsar toda a escuridão,
Mas suficiente para indicar o caminho.
Com ela atravesso os corredores da dúvida
Sem exigir certezas do mundo.
Se a paranoia me oferece fantasmas,
Transformo-os em palavras e imagens.
Se a imaginação me oferece abismos,
Aprendo a medir seus contornos.
Tudo pode servir à obra e ao aprendizado.
Sigo entre o mistério e a lucidez,
Aceitando os limites da minha compreensão.
Nem tudo o que vejo precisa ser verdade,
Nem tudo o que temo merece domínio.
Basta-me criar e continuar caminhando.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














