Mas para serem sobrevividos.
São palavras que a alma escreve em silêncio,
Não porque queira mostrar suas feridas,
Mas porque precisa impedir que elas apodreçam por dentro.
Às vezes escrevo poemas sombrios
Que não desejo dividir com ninguém.
Não porque sejam vergonhosos,
Mas porque existem sentimentos
Que perdem a proteção quando ganham testemunhas.
Escrevo aquilo que preciso escrever,
Mesmo aquilo que não gostaria de sentir.
Talvez porque o papel seja mais paciente que o coração
E aceite aquilo que a boca jamais confessaria.
Há versos que são quartos escuros
Onde escondo pensamentos que não quero encontrar.
Entro neles apenas para escrever,
Deixo algumas palavras sobre a mesa
E saio antes que a tristeza descubra meu nome.
Meu poema nem sempre é aquilo que sou;
Às vezes é aquilo que temo ser,
Aquilo que poderia sentir,
Aquilo que passou por mim como uma sombra
E deixou sua marca antes de desaparecer.
Por isso nem todo poema pede leitores.
Alguns pedem apenas silêncio.
São escritos para que a dor tenha uma saída,
Para que o pensamento não se transforme em prisão
E para que o poeta consiga continuar respirando.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














