Recebi apenas o silêncio das possibilidades.
Cada escolha apaga outras vidas possíveis.
Ainda assim, permaneço responsável.
Não há como delegar a própria existência.
Os dias não oferecem respostas.
São páginas que esperam uma decisão.
O medo veste a máscara da prudência.
A esperança, a da incerteza.
Caminho entre ambas.
Há quem prefira o abrigo das pequenas expectativas.
Ali o fracasso parece menor.
Mas também diminui a alegria do encontro.
Viver pouco para sofrer pouco
É uma forma lenta de ausência.
O horizonte não me promete chegada.
Ele apenas se afasta quando avanço.
Talvez seu sentido seja esse.
Ensinar que a vida não cabe no destino,
Mas no movimento de buscá-lo.
Quando o último dia vier,
Quero reconhecer meus próprios passos.
Não por terem sido perfeitos,
Mas porque foram escolhidos por mim.
E nisso reside toda a minha liberdade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














