Como quem vende a própria alma.
O mundo já tem gente demais
Pedindo licença
Para existir.
Se você não me vê,
O problema não é o meu rosto.
Há olhos que só enxergam
O brilho das vitrines
E confundem barulho com valor.
Aprendi que a solidão
É uma mesa mais honesta
Do que certos aplausos.
Ela nunca mente
Sobre quem permanece.
Não preciso vestir outra pele,
Nem inventar um personagem.
Quem vive implorando atenção
Acaba esquecendo
O próprio nome.
Então fico aqui,
Com meu café já frio,
Algumas cicatrizes
E a estranha paz
De quem não precisa convencer ninguém.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














