Com o coração amassado no bolso
E algumas lembranças fazendo barulho na cabeça.
Entrei em bares, conversei com desconhecidos,
Bebi um pouco da noite
E perguntei ao silêncio se ele sabia de você.
Mas o silêncio, como sempre, não respondeu.
Procurei você nas mulheres que não eram você,
Nos abraços que terminavam cedo,
Nas músicas ruins que tocavam nos bares
E nas madrugadas em que até os bêbados
Pareciam ter alguém esperando por eles.
Você não estava.
E eu estava cansado de encontrar sua ausência.
A verdade é que o mundo não para
Porque alguém deixou de amar alguém.
O padeiro continua fazendo pão,
Os ônibus continuam atrasados,
Os cachorros continuam latindo para a lua
E eu continuo aqui, escrevendo sobre você.
Que coisa ridícula essa tal de saudade!
Onde andei à sua procura, você não estava.
Pode ser que nunca tenha estado.
Ou quem sabe eu tenha procurado uma mulher
Que existia apenas na minha necessidade de amar.
Mas, quer saber uma verdade?
Amanhã vou acordar, tomar meu café
E, por alguns minutos, procurar você novamente.
Porque há certas loucuras
Que a gente não abandona.
A gente apenas aprende a conviver com elas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














