Como quem observa um destino já escrito.
Ao seu redor, muitos chamavam de verdade
Aquilo que apenas passava diante dos olhos.
Ele foi o primeiro a desconfiar da escuridão.
Quando encontrou a luz, não sentiu conforto.
A claridade revelou feridas, dúvidas e limites.
Mesmo assim, continuou caminhando.
Preferiu a inquietação do conhecimento
À tranquilidade das ilusões.
Do alto, contemplou um mundo mais vasto
Do que tudo aquilo que lhe haviam ensinado.
Compreendeu que a verdade não é uma posse,
Mas uma busca interminável
Que transforma quem a procura.
Então voltou seus passos para o abismo.
Diante das portas do inferno de Dante,
Não buscava glória nem redenção.
Desejava apenas compreender
O que existe nas profundezas da alma humana.
Ao atravessar sombras e chamas,
Descobriu que a luz e a escuridão
Habitam o mesmo coração.
E seguiu adiante,
Carregando dentro de si uma pequena chama,
Suficiente para iluminar
O caminho dos que ainda procuram.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense






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