Não pergunta pelo nome das árvores,
Nem pela idade das pedras.
Apenas risca o céu
E deixa no silêncio um vestígio que ninguém recolhe.
As ruas carregam o cansaço das horas.
As janelas observam o mundo sem expectativa.
Há uma poeira antiga sobre os gestos cotidianos,
Como se cada passo repetisse
Uma pergunta esquecida antes de ser formulada.
Procuro um centro entre tantas direções.
O relógio responde com o seu ofício indiferente.
As sombras alongam o que não compreendo.
Mesmo a luz parece hesitar
Diante daquilo que não pode explicar.
Quem sabe a alma seja apenas um corredor
Por onde passam vozes sem rosto.
Reconheço algumas, mas nenhuma permanece.
O pensamento continua seu voo,
Estranho até para quem o abriga.
Quando a noite enfim recolhe os contornos do mundo,
Resta apenas o espaço entre uma respiração e outra.
É ali que descubro a medida da existência:
Não na posse das respostas,
Mas na coragem de permanecer diante do mistério.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














