Quando você surge diante de mim,
Não é apenas a sua imagem que vejo,
É um clarão que rasga a penumbra do meu dia,
Um incêndio secreto que se acende em silêncio.
A cada gesto seu,
Meu corpo se curva ao peso do desejo,
Mas não é um fardo cruel,
É como carregar um fogo que aquece
Mesmo quando ameaça transbordar.
Sinto meu coração tremer,
Como se buscasse ritmo
No compasso da sua respiração,
Como se cada batida fosse chama
Tentando alcançar a sua pele.
O mundo inteiro se dissolve nesse instante:
As vozes somem,
As ruas se desfazem,
O tempo deixa de existir.
Só resta você,
E essa chama que não me destrói,
Mas me mantém vivo.
Eu caminho entre o medo e a esperança,
Com receio de que esse fogo me revele,
E, ao mesmo tempo,
Com a súplica muda
De que você perceba o quanto ardo.
É assim que sigo,
Como um viajante
Que encontra luz no meio da noite,
Sabendo que basta o seu olhar
Para que eu me perca e me encontre
Na mesma chama suave
Que me devora e me consola.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense












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