Linhas invisíveis guiando meus passos,
Um roteiro calmo, preciso, quase certo,
Como se viver fosse apenas cumprir
O que o tempo discretamente ditou.
Repito gestos como quem reza o cotidiano,
Cada escolha parecendo já escolhida,
Cada palavra encaixada no lugar exato,
E há um conforto estranho nisso tudo,
Como se o mundo coubesse na rotina.
Mas algo se move fora do script,
Um sopro inquieto invade o pensamento,
Uma imagem nasce sem pedir licença,
E rompe o silêncio do que era previsto,
Abrindo frestas no controle do dia.
Então me perco, e encontro caminhos,
Ruas que não estavam no mapa de mim,
Ideias que florescem no improvável,
E sigo sem saber onde termino,
Apenas sentindo que começo ali.
Entre o traço firme e o desvio incerto,
Vou sendo mais do que planejei ser,
Porque o roteiro me dá contorno,
Mas é a imaginação que me dá alma,
E me ensina a nunca caber inteiro num só lugar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














