Mas escolho o lugar que lhes concedo em minha alma.
A lembrança chega como o vento entre as árvores,
E o sábio não discute com o vento.
Observa sua passagem sem lhe oferecer morada.
O que não depende de mim não me escraviza;
O que depende de mim é permanecer em paz.
Se o seu nome surge no silêncio da memória,
Não o recebo como ordem, mas como acontecimento.
As águas do rio não pedem licença para correr,
E nem por isso alteram a firmeza das margens.
Assim também deve ser o espírito:
Sereno diante do que passa,
Livre diante daquilo que não pode impedir.
Não desejo esquecer à força,
Pois toda violência contra si mesmo prolonga a dor.
Prefiro cultivar a virtude da aceitação,
Onde cada lembrança encontra seu tempo de partir.
A paz não nasce da ausência dos pensamentos,
Mas do domínio que exercemos sobre nossas escolhas.
E nisso reside a verdadeira liberdade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














