Nem a forma como o tempo escorre pelas minhas mãos.
As estrelas também morrem em silêncio,
E mesmo assim iluminam distâncias inimagináveis.
Carrego dentro de mim essa verdade serena,
Não fui feito para durar como o universo,
Fui feito para sentir enquanto atravesso a noite.
Quando encontrei você,
Algo mudou no movimento do mundo.
As horas perderam a crueldade costumeira,
E até o vazio pareceu respirar mais devagar.
Eu, tão pequeno diante das galáxias infinitas,
Tive o privilégio impossível de tocar sua existência.
E desde então, cada memória sua em mim
Vale mais do que séculos inteiros de solidão.
Se amanhã eu desaparecer como poeira antiga,
Não partirei lamentando a brevidade da vida.
Direi ao silêncio que vivi o suficiente para amar.
Direi ao tempo que ele não venceu tudo em mim.
Porque houve um instante raro sobre esta Terra
Em que caminhei ao lado de alguém extraordinário,
E esse instante fez o universo parecer humano.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














