quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Não é o tempo que renova

 O novo não nasce à meia-noite, 
Não se revela no calendário virado, 
Nem chega embalado pelo nome do ano. 
Ele pede mãos sujas de tentativa 
E ouvidos cansados de escutar o que retorna. 
 
Aquilo que se repete não é erro: 
É mensagem insistente, 
Batendo à porta da consciência 
Até que tenhamos coragem 
De mudar o lugar da mobília interior. 
 
O novo acontece quando paramos de fugir do eco 
E passamos a dialogar com ele. 
Quando a ferida deixa de ser evitada 
E se transforma em passagem. 
 
Não é o tempo que renova, 
Somos nós, 
Quando ousamos escutar com mais profundidade 
E oferecer outro destino 
Àquilo que sempre volta pedindo sentido. 
 
O novo, afinal, 
É o antigo compreendido 
Pela primeira vez. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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