Como quem guarda um fósforo aceso no bolso,
Não para incendiar o mundo,
Mas para lembrar que o frio existe.
Vou te levar protegida,
Não do tempo,
Mas do esquecimento descuidado,
Aquele que deixa as coisas caírem no chão
Sem perceber.
Ninguém vai roubar você de mim,
Porque não te carrego no corpo,
Nem nas palavras ditas em voz alta.
Te levo onde não há mãos,
Onde não há comércio,
Onde não há disputa.
Você será a lembrança mais humana
Porque falha,
Porque treme,
Porque às vezes dói sem saber por quê.
E será completa
Não por ser perfeita,
Mas porque inclui o silêncio,
O gesto que não aconteceu,
O amor que não precisou se explicar.
Vou te levar comigo
Como quem leva uma casa invisível:
Não pesa,
Não aparece,
Mas é onde eu descanso
Quando o mundo se torna frio demais.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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