Ela grita.
E quem grita mais alto
Passa a parecer convicto,
Mesmo quando não pensa.
Os idiotas não chegaram marchando,
Vieram sorrindo,
Pedindo likes,
Confundindo opinião com verdade
E barulho com razão.
O saber cansou de explicar.
O silêncio virou refúgio.
Enquanto isso,
A estupidez vestiu a fantasia da coragem
E se autoproclamou líder.
Vivemos a era em que
Pensar dói
E repetir anestesia.
Quem questiona é suspeito,
Quem reflete é inimigo,
Quem duvida é fraco.
A ascensão dos idiotas
Não acontece porque são muitos,
Mas porque os lúcidos
Estão exaustos de lutar
Contra moinhos de vento
Que agora têm microfone.
O idiota moderno não é vazio:
Ele é cheio de certezas prontas,
Opiniões herdadas,
Ódios terceirizados
E verdades embaladas a vácuo.
Quando o senso crítico adoece,
A mediocridade governa
Como se fosse destino.
E o futuro,
Esse, aprende a tropeçar
Antes mesmo de caminhar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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