sábado, 3 de janeiro de 2026

A ascensão dos idiotas

 A ignorância já não cochicha, 
Ela grita. 
E quem grita mais alto 
Passa a parecer convicto, 
Mesmo quando não pensa. 
 
Os idiotas não chegaram marchando, 
Vieram sorrindo, 
Pedindo likes, 
Confundindo opinião com verdade 
E barulho com razão. 
 
O saber cansou de explicar. 
O silêncio virou refúgio. 
Enquanto isso, 
A estupidez vestiu a fantasia da coragem 
E se autoproclamou líder. 
 
Vivemos a era em que 
Pensar dói 
E repetir anestesia. 
Quem questiona é suspeito, 
Quem reflete é inimigo, 
Quem duvida é fraco. 
 
A ascensão dos idiotas 
Não acontece porque são muitos, 
Mas porque os lúcidos 
Estão exaustos de lutar 
Contra moinhos de vento 
Que agora têm microfone. 
 
O idiota moderno não é vazio: 
Ele é cheio de certezas prontas, 
Opiniões herdadas, 
Ódios terceirizados 
E verdades embaladas a vácuo. 
 
Quando o senso crítico adoece, 
A mediocridade governa 
Como se fosse destino. 
E o futuro, 
Esse, aprende a tropeçar 
Antes mesmo de caminhar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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