E ele desperta sempre que tua presença se aproxima.
Não é a primavera que o faz florescer,
Mas esse invisível chamado
Que transforma o coração em horizonte.
Quando te vejo, descubro que o desejo
Não é uma chama que consome,
Mas uma semente paciente
Que aprende com a terra
A esperar sem perder sua força.
Talvez amar seja tornar-se mais amplo,
Como o céu que acolhe o voo das aves
Sem jamais prendê-las ao azul.
Quem ama verdadeiramente
Aprende a crescer na liberdade do outro.
Assim, guardo tua imagem
Não como quem possui uma estrela,
Mas como quem recebe sua luz
E permite que ela revele, lentamente,
Os caminhos escondidos da própria alma.
Se algum dia nossos passos se encontrarem,
Que seja porque amadurecemos para esse instante.
E, se o destino nos levar por trilhas distintas,
Que o amor permaneça como a árvore permanece.
Enraizada no invisível, oferecendo frutos de luz.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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