terça-feira, 30 de junho de 2026

O idiota é o que se recusa saber

A ascensão dos idiotas 
Não é um acidente da história, 
É um sintoma. 
Toda época cria seus deuses 
À imagem de suas carências. 

O idiota não é o que ignora, 
Mas o que se recusa a saber. 
Ele transforma a dúvida em ameaça 
E a complexidade em ofensa. 
Pensar, para ele, 
É um desvio moral. 

A inteligência exige tempo, 
Silêncio 
E a coragem de não pertencer. 
A estupidez, ao contrário, 
Oferece abrigo imediato. 
Um de nós contra eles, 
Uma resposta simples, 
Um culpado portátil. 

Quando a razão perde o prestígio, 
O ressentimento assume o trono. 
Não governa para construir, 
Mas para justificar ruínas. 

A multidão não segue o idiota 
Porque ele é líder, 
Mas porque ele dispensa esforço. 
Ele promete alívio 
Num mundo que exige pensamento. 

A tragédia não está na voz alta do idiota, 
Mas na desistência do sábio. 
Quando o pensamento abdica, 
O ruído vira lei. 

Pode ser que o colapso não seja civilizatório, 
Mas interior. 
Um mundo onde cada um 
Renuncia à tarefa de compreender 
E chama isso de liberdade. 

Sendo assim, 
A estupidez não triunfa por força, 
Mas por abandono. 
Porque pensar, 
Em tempos de facilidades, 
Tornou-se um ato de resistência. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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