Não chamarei tua atenção com o peso da voz.
O vento não anuncia o caminho que percorre.
Basta-me guardar a paz que em mim habita.
O olhar alheio muda como as estações.
A virtude permanece quando os aplausos cessam.
Quem domina a si mesmo não implora presença.
E segue inteiro, mesmo na solidão.
Se me vês, que seja pela verdade do caráter.
Se não me vês, nada em mim diminui.
O ouro não perde valor longe dos olhos.
O rio não interrompe seu curso por falta de plateia.
Aceito apenas o que depende de minhas mãos.
O restante entrego ao tempo e ao destino.
Assim encontro liberdade.
Não desejo vencer o mundo, mas a mim mesmo.
O silêncio também conhece a linguagem da força.
Cada amanhecer basta como nova oportunidade.
Nada possuo além do instante presente.
E nele cultivo serenidade e firmeza.
Quem busca a aprovação vive acorrentado.
Quem busca a sabedoria já encontrou o bastante.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário