quarta-feira, 1 de julho de 2026

Não chamarei tua atenção

Não chamarei tua atenção com o peso da voz. 
O vento não anuncia o caminho que percorre. 
Basta-me guardar a paz que em mim habita. 
O olhar alheio muda como as estações. 
A virtude permanece quando os aplausos cessam. 
Quem domina a si mesmo não implora presença. 
E segue inteiro, mesmo na solidão. 
 
Se me vês, que seja pela verdade do caráter. 
Se não me vês, nada em mim diminui. 
O ouro não perde valor longe dos olhos. 
O rio não interrompe seu curso por falta de plateia. 
Aceito apenas o que depende de minhas mãos. 
O restante entrego ao tempo e ao destino. 
 Assim encontro liberdade. 
 
Não desejo vencer o mundo, mas a mim mesmo. 
O silêncio também conhece a linguagem da força. 
Cada amanhecer basta como nova oportunidade. 
Nada possuo além do instante presente. 
E nele cultivo serenidade e firmeza. 
Quem busca a aprovação vive acorrentado. 
Quem busca a sabedoria já encontrou o bastante. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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