Antes do teu olhar, meus pés eram perguntas,
Pisavam a poeira de caminhos sem resposta.
Cada horizonte prometia um sentido,
Mas a distância apenas mudava de nome,
E eu continuava estrangeiro de mim mesmo.
Andei por cidades que ignoravam meu silêncio,
Onde os rostos passavam como estações.
Descobri que o vazio também possui voz
E que a solidão, quando amadurece,
Ensina o homem a conversar com a própria sombra.
Então teus olhos cruzaram os meus
Como quem interrompe o destino por um instante.
Não ofereceram certezas nem promessas,
Apenas a possibilidade de existir
Sem fugir daquilo que eu realmente era.
Percebi que os passos não buscavam um lugar,
Mas alguém que lhes desse significado.
O caminho nunca esteve sob meus pés;
Nascia, invisível, a cada escolha,
Enquanto o tempo escrevia sua silenciosa sentença.
Hoje sei que toda estrada permanece incompleta.
Nem o amor dissolve o mistério da existência,
Mas torna mais humana a travessia.
Se antes eu caminhava para vencer a distância,
Agora caminho para compreender o infinito.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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