Feita dos nomes que nunca pronunciei,
Das mãos que imaginei na minha vida
E dos caminhos onde nunca cheguei.
Aprendi com a dor sua filosofia:
Quem sofre em silêncio conhece o vazio,
E transforma a própria ausência em companhia.
Eu caminho entre sombras e lembranças,
Como quem perdeu algo antes de possuir,
Alimentando no peito antigas esperanças
Que o tempo ensinou lentamente a ruir.
Há uma verdade cruel na existência:
O sofrimento molda minha consciência
E faz da solidão meu modo de sentir.
À noite escuto meus sonhos quebrados
Cantando baixinho dentro do coração,
Como pássaros cansados e abandonados
Que esqueceram o caminho da estação.
E sigo vivendo, embora incompleto,
Pois descobri que até o homem deserto
Faz da própria dor uma religião.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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