segunda-feira, 29 de junho de 2026

Voz inconveniente

O sol cansado já não quer nos ver, 
Desvia o rosto ao peso das cidades; 
Há homens aprendendo a apodrecer 
Sob o verniz cruel das vaidades. 

Nas ruas, vejo a fome envelhecer, 
Crianças sem abrigo ou identidade; 
E os donos do poder, sem perceber, 
Transformam dor humana em novidade. 

Mas eu não quero o silêncio obediente, 
Nem ser mais um fantasma conformado 
Num mundo que celebra a própria ruína. 

Prefiro ser a voz inconveniente, 
O grito contra o tempo envenenado, 
A mão que ainda insiste e ilumina. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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