Desvia o rosto ao peso das cidades;
Há homens aprendendo a apodrecer
Sob o verniz cruel das vaidades.
Nas ruas, vejo a fome envelhecer,
Crianças sem abrigo ou identidade;
E os donos do poder, sem perceber,
Transformam dor humana em novidade.
Mas eu não quero o silêncio obediente,
Nem ser mais um fantasma conformado
Num mundo que celebra a própria ruína.
Prefiro ser a voz inconveniente,
O grito contra o tempo envenenado,
A mão que ainda insiste e ilumina.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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