segunda-feira, 29 de junho de 2026

Tempo perdido

Houve um tempo em que teus olhos me procuravam, 
E eu, distraído pelas urgências da vida, 
Não percebia que havia um universo inteiro 
Esperando por um simples encontro de olhares. 

Hoje compreendo que algumas oportunidades 
Não chegam fazendo barulho. 
Elas se apresentam em silêncio, 
Escondidas na delicadeza de quem nos admira. 

Perdi o tempo em que teu olhar 
Falava aquilo que teus lábios não ousavam dizer. 
Enquanto eu contava os dias, 
O coração desperdiçava instantes 
Que jamais voltarão. 

Há arrependimentos que não nascem 
Por aquilo que fizemos, 
Mas por aquilo que deixamos de viver. 
E talvez o maior deles 
Seja descobrir tarde demais 
Que alguém nos enxergava 
Com uma beleza 
 Que nunca fomos capazes 
 De reconhecer em nós mesmos. 

Se pudesse voltar, 
Não mudaria o relógio, 
Mudaria a atenção. 
Porque o amor, muitas vezes, 
Não pede promessas grandiosas; 
Pede apenas coragem 
Para sustentar um olhar 
Que nos convida a permanecer. 

Hoje, quando o tempo me visita, 
Ele não me acusa. 
Apenas me lembra que os segundos 
Levam consigo as oportunidades 
Que a hesitação deixou escapar. 

E aprendi, enfim, 
Que o tempo perdido 
 Não está apenas nos anos que passaram, 
Mas nos olhares que evitamos, 
Nos sentimentos que ignoramos 
E nas histórias que poderiam ter começado 
Com um simples gesto de reciprocidade. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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