sábado, 7 de fevereiro de 2026

Apologia ao conhecimento I

 O conhecimento não grita, 
Ele chama em silêncio, 
E só escuta quem aceita 
Ficar sozinho com as perguntas. 
 
Aprender é um ato de desobediência: 
É recusar a versão pronta do mundo, 
É tocar o que disseram ser intocável 
E descobrir que o medo era herdado. 
 
O saber não salva, 
Mas ilumina o abismo 
O suficiente 
Para que a queda seja consciente. 
 
Há quem tema o conhecimento 
Porque ele não consola, 
Ele desloca, inquieta, 
Desmonta altares frágeis. 
 
Conhecer é perder a inocência 
Sem perder a ternura, 
É trocar a certeza confortável 
Pela lucidez inquieta. 
 
O ignorante dorme cedo. 
Quem sabe, vigia. 
E mesmo cansado, 
Prefere a vigília à mentira. 
 
Toda pergunta é um risco. 
Toda resposta honesta, uma ferida. 
Mas só quem sangra ideias 
Aprende a pensar de verdade. 
 
O conhecimento não é poder, 
É responsabilidade. 
Depois de ver, 
Já não é possível fingir cegueira. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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