Ele chama em silêncio,
E só escuta quem aceita
Ficar sozinho com as perguntas.
Aprender é um ato de desobediência:
É recusar a versão pronta do mundo,
É tocar o que disseram ser intocável
E descobrir que o medo era herdado.
O saber não salva,
Mas ilumina o abismo
O suficiente
Para que a queda seja consciente.
Há quem tema o conhecimento
Porque ele não consola,
Ele desloca, inquieta,
Desmonta altares frágeis.
Conhecer é perder a inocência
Sem perder a ternura,
É trocar a certeza confortável
Pela lucidez inquieta.
O ignorante dorme cedo.
Quem sabe, vigia.
E mesmo cansado,
Prefere a vigília à mentira.
Toda pergunta é um risco.
Toda resposta honesta, uma ferida.
Mas só quem sangra ideias
Aprende a pensar de verdade.
O conhecimento não é poder,
É responsabilidade.
Depois de ver,
Já não é possível fingir cegueira.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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