sábado, 7 de fevereiro de 2026

Sem garantias

 O amor que me alcança 
Não assina contrato com o amanhã. 
Ele vem sem mapa, 
Sem promessa de chão firme, 
E ainda assim me chama a caminhar. 
 
Não me garante permanência no mundo, 
Não promete abrigo contra o tempo, 
Não assegura que ficarei inteiro 
Depois da travessia, 
Apenas insiste que eu atravesse. 
 
É um amor que não sustenta certezas, 
Mas desmonta muros. 
Não me diz “vai dar certo”, 
Apenas sussurra: 
“Vai doer, mas você pode sair vivo”. 
 
Às vezes penso que amar assim 
É aceitar a instabilidade como casa, 
É aprender que o sentido 
Não está em durar, 
Mas em não passar ileso. 
 
Porque há amores que não nos salvam, 
Não nos colocam no mundo, 
Não nos dão garantias, 
Mas nos ensinam, com delicadeza cruel, 
Que existir já é um risco suficiente. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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