domingo, 8 de fevereiro de 2026

Todas as vezes que olho pra você

 Todas as vezes que olho pra você, 
Não é só o seu rosto que encontro, 
É um espelho silencioso 
Onde algo em mim aprende a voltar. 
 
Voltar do cansaço, 
Das descrenças acumuladas, 
Dos amores que passaram sem ficar. 
Em você, o amor não bate à porta: 
Ele desperta. 
 
Te olhar é sentir 
Que o que eu julgava gasto 
Ainda pulsa. 
Que meu coração, mesmo ferido, 
Não desaprendeu o gesto simples 
De acreditar. 
 
Você não me oferece promessas, 
Oferece presença. 
E é nela que o amor em mim renasce, 
Não como incêndio, 
Mas como chama que sabe durar. 
 
Quando te vejo, 
Sou menos ruína e mais abrigo. 
Menos medo, mais coragem. 
É como se o amor dissesse, baixinho: 
— Ainda há vida aqui. 
 
E há. 
Toda vez que olho pra você, 
Há. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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