Não é só o seu rosto que encontro,
É um espelho silencioso
Onde algo em mim aprende a voltar.
Voltar do cansaço,
Das descrenças acumuladas,
Dos amores que passaram sem ficar.
Em você, o amor não bate à porta:
Ele desperta.
Te olhar é sentir
Que o que eu julgava gasto
Ainda pulsa.
Que meu coração, mesmo ferido,
Não desaprendeu o gesto simples
De acreditar.
Você não me oferece promessas,
Oferece presença.
E é nela que o amor em mim renasce,
Não como incêndio,
Mas como chama que sabe durar.
Quando te vejo,
Sou menos ruína e mais abrigo.
Menos medo, mais coragem.
É como se o amor dissesse, baixinho:
— Ainda há vida aqui.
E há.
Toda vez que olho pra você,
Há.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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