Rostos que fui sem jamais permanecer.
Os semáforos piscavam como dúvidas eternas,
E cada avenida parecia fugir de si mesma.
Há uma solidão que nasce do excesso de vozes,
Um silêncio escondido dentro do concreto,
Como se viver fosse apenas atravessar neblinas.
Os prédios observam tudo com olhos de vidro,
Guardando destinos que nunca se encontram.
Homens caminham apressados para lugar nenhum,
Carregando relógios cheios de ausências.
A madrugada recolhe os sonhos abandonados
Junto aos jornais molhados pela chuva fina,
E os devolve ao vento como memórias sem dono.
Às vezes penso que a cidade também sofre,
Presa em suas ruas longas e intermináveis.
Talvez ela conheça o peso de existir sem descanso,
Esse cansaço antigo de continuar pulsando.
E nós, pequenos vultos sob luzes artificiais,
Seguimos procurando sentido nas esquinas,
Como quem procura a si mesmo no fim da noite.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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