sexta-feira, 8 de maio de 2026

Cada vez que vejo você

 O desejo que queima em mim 
Não é chama branda, 
É incêndio noturno, 
Fagulha que se arrasta como serpente de fogo 
Pelas entranhas da minha sombra. 
 
Cada vez que vejo você, 
O ar rarefeito se envenena, 
Meu corpo se torna cárcere em chamas, 
E a carne grita silenciosa 
Pela perdição de um toque. 
 
É febre que não recua, 
É maldição que arde sem cura, 
Um tormento que se alimenta do próprio vazio. 
 
Você passa, e eu me consumo, 
Sou vela sem fim, 
Sou pira condenada, 
Ardendo por um desejo 
Que nunca se extingue, 
E que talvez só encontre paz 
Na ruína final das cinzas. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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