sexta-feira, 8 de maio de 2026

O perigo das pessoas ruins

Tem pessoas que não chegam para caminhar conosco, 
Mas para testar o peso da nossa alma. 
Sorriem perto demais, 
Aprendem nossos passos, 
E silenciosamente espalham pedras no caminho. 

O perigo das pessoas ruins 
Não está apenas na maldade evidente, 
Mas na intimidade que concedemos a elas. 
Algumas sombras entram em nossa vida 
Disfarçadas de companhia. 

Existem presenças que cansam a esperança, 
Que diminuem sonhos, 
Que transformam confiança em vigilância constante. 
E, sem perceber, começamos a tropeçar 
Em obstáculos que não estavam ali antes. 

Nem todo inimigo levanta a voz. 
Há quem destrua devagar, 
Com inveja escondida, 
Com palavras sutis, 
Com o prazer secreto de ver alguém parar. 

A sabedoria também consiste em escolher distâncias. 
Nem todos merecem conhecer nossos planos, 
Nossas fragilidades 
Ou os caminhos que desejamos seguir. 
Há portas que precisam permanecer fechadas. 

Porque a alma, quando cercada de veneno, 
Aprende a adoecer em silêncio. 
E há caminhos que só florescem 
Quando certas presenças 
Ficam para trás. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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