Como quem estende as mãos ao invisível
E descobre que o silêncio também possui uma presença.
Não era você quem respondia,
Mas algo mais profundo do que o próprio desejo.
As árvores permaneciam imóveis,
E nelas havia uma paciência
Que nenhuma despedida conseguia romper.
Aprendi que a ausência
Também educa o coração para uma escuta mais ampla.
Foi então que compreendi
Que toda procura é um retorno.
Não ao rosto perdido,
Mas ao lugar secreto onde a alma
Reconhece aquilo que nunca deixou de carregar.
Cada estrela parecia guardar
Uma pergunta antiga sobre o amor.
Não ofereciam respostas.
Apenas iluminavam o caminho
Para que eu atravessasse a noite sem fugir dela.
Agora já não procuro você
Como quem espera recuperar o passado.
Caminho em direção ao desconhecido,
Sabendo que toda verdadeira presença
Nasce quando aceitamos habitar o mistério.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Que sinestésico. Parabéns!!!
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