terça-feira, 7 de julho de 2026

Já não procuro por você

Nas noites escuras procurei por você, 
Como quem estende as mãos ao invisível 
E descobre que o silêncio também possui uma presença. 
Não era você quem respondia, 
Mas algo mais profundo do que o próprio desejo. 

As árvores permaneciam imóveis, 
E nelas havia uma paciência 
Que nenhuma despedida conseguia romper. 
Aprendi que a ausência 
Também educa o coração para uma escuta mais ampla. 

Foi então que compreendi 
Que toda procura é um retorno. 
Não ao rosto perdido, 
Mas ao lugar secreto onde a alma 
Reconhece aquilo que nunca deixou de carregar. 

Cada estrela parecia guardar 
Uma pergunta antiga sobre o amor. 
Não ofereciam respostas. 
Apenas iluminavam o caminho 
Para que eu atravessasse a noite sem fugir dela. 

Agora já não procuro você 
Como quem espera recuperar o passado. 
Caminho em direção ao desconhecido, 
Sabendo que toda verdadeira presença 
Nasce quando aceitamos habitar o mistério. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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