domingo, 5 de julho de 2026

Mesmo na noite mais densa

No centro da vontade invisível de Deus 
Há um silêncio que não se explica, 
Como se a alma encontrasse seu nome 
Antes mesmo de ser chamada, 
E repousasse onde sempre pertenceu. 

Fora dele, tudo parece possível, 
Mas nada verdadeiramente permanece; 
Sorrisos se quebram no vento, 
E a esperança veste disfarces frágeis 
Para esconder o vazio que cresce. 

Ali, porém, mesmo na noite mais densa, 
Há uma chama que não se apaga, 
Um sussurro que guia os passos 
Quando os olhos já não veem caminho, 
E o coração aprende a confiar no escuro. 

Não é ausência de dor que se encontra, 
Nem promessa de dias sem lágrimas, 
Mas uma firmeza que sustenta o abismo 
E transforma o medo em travessia, 
Como quem aprende a cair sem se perder. 

E então se entende, enfim, o mistério: 
Seguro não é o chão que não cede, 
Mas a mão que não solta jamais; 
Não é o rumo que sempre se mostra, 
Mas a presença que nunca se ausenta. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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