Há um silêncio que não se explica,
Como se a alma encontrasse seu nome
Antes mesmo de ser chamada,
E repousasse onde sempre pertenceu.
Fora dele, tudo parece possível,
Mas nada verdadeiramente permanece;
Sorrisos se quebram no vento,
E a esperança veste disfarces frágeis
Para esconder o vazio que cresce.
Ali, porém, mesmo na noite mais densa,
Há uma chama que não se apaga,
Um sussurro que guia os passos
Quando os olhos já não veem caminho,
E o coração aprende a confiar no escuro.
Não é ausência de dor que se encontra,
Nem promessa de dias sem lágrimas,
Mas uma firmeza que sustenta o abismo
E transforma o medo em travessia,
Como quem aprende a cair sem se perder.
E então se entende, enfim, o mistério:
Seguro não é o chão que não cede,
Mas a mão que não solta jamais;
Não é o rumo que sempre se mostra,
Mas a presença que nunca se ausenta.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário