segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A luta diária contra a ignorância

Caminho contra vozes que celebram a cegueira, 
Como quem atravessa um mercado de espelhos rachados. 
Carrego perguntas onde exigem certezas, 
E por isso me olham como um corpo estranho 
Entre os devotos do conforto fácil. 
 
Muitas vezes a ignorância veste armaduras douradas, 
Fala alto diante das multidões fatigadas 
E transforma medo em verdade absoluta. 
Eu sigo em silêncio, reunindo fragmentos de lucidez 
Como quem recolhe brasas antes do inverno. 
 
Há noites em que quase cedo ao cansaço, 
Porque pensar também sangra por dentro. 
A razão nem sempre consola, 
E enxergar demais pode ser uma forma de exílio 
Num mundo apaixonado pela superfície. 
 
Ainda assim continuo atravessando a névoa, 
Recusando os profetas de desejos vazios. 
Não quero promessas feitas para adormecer consciências, 
Nem paraísos erguidos sobre mentiras repetidas. 
Prefiro a dúvida honesta ao delírio confortável. 
 
Pode ser que minha luta nunca termine completamente, 
Mas há dignidade em resistir ao escuro. 
Mesmo sozinho diante do rumor das multidões, 
Continuo protegendo essa pequena chama interior 
Que insiste em não se ajoelhar diante da ignorância. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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