sábado, 8 de agosto de 2026

Mil poemas de amor

 Mil poemas escreveria 
Tentando definir o amor, 
E mais dez mil poderia desenvolver 
Se ainda tivesse vigor. 
 
Escreveria sobre o silêncio 
Que diz mais que qualquer palavra, 
Sobre o olhar que encontra outro olhar 
E, sem perceber, o coração destrava. 
 
Escreveria sobre a saudade, 
Essa presença que dói na ausência, 
Sobre a lembrança que permanece 
Quando o tempo apaga a aparência. 
 
Escreveria sobre o abraço 
Que transforma distância em abrigo, 
Sobre duas almas que, por um instante, 
Fazem do mundo um lugar mais antigo. 
 
Escreveria sobre o medo 
De amar e não ser correspondido, 
Sobre a coragem de permanecer 
Mesmo quando o amor parece perdido. 
 
E depois de tantos poemas, 
De tantas metáforas e versos, 
Talvez eu finalmente compreendesse 
Que o amor não cabe em nenhum universo. 
 
Porque o amor não se explica: 
Acontece, invade e permanece. 
É palavra que nunca termina, 
É pergunta que nunca envelhece. 
 
Por isso, mil poemas escreveria 
E outros tantos escreveria depois; 
Pois quanto mais tento definir o amor, 
Mais descubro que ele começa em nós dois. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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