Como lâmina fria guardada no silêncio.
Ele não grita, não sangra de imediato,
Mas atravessa o peito com paciência cruel,
E se alimenta do que ainda sinto por você.
Carrego teu nome como quem carrega um peso,
Invisível aos olhos, insuportável à alma.
Nos cantos da noite, ele volta a me chamar,
Não como esperança, mas como ausência viva,
Um eco que nunca aprende a se calar.
Teu toque ainda existe onde não estás mais,
Um fantasma quente sobre a pele da memória.
E eu, refém desse gesto que não se repete,
Aprendo a conviver com o impossível,
Como quem respira dentro de um adeus.
Há dias em que a dor se veste de ternura,
E me engana com lembranças suaves demais.
Quase acredito que ainda há um nós escondido,
Mas é só o amor brincando de permanência,
Num corpo onde já não habita verdade.
Caminho entre o que foi e o que não volta,
Aprisionado na delicadeza da perda.
Porque amar, às vezes, é não ter saída,
É viver na fronteira entre o sonho e o fim,
Onde o coração insiste em não se libertar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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