segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Lâmina fria

 Há um amor que não morre, apenas se esconde, 
Como lâmina fria guardada no silêncio. 
Ele não grita, não sangra de imediato, 
Mas atravessa o peito com paciência cruel, 
E se alimenta do que ainda sinto por você. 
 
Carrego teu nome como quem carrega um peso, 
Invisível aos olhos, insuportável à alma. 
Nos cantos da noite, ele volta a me chamar, 
Não como esperança, mas como ausência viva, 
Um eco que nunca aprende a se calar. 
 
Teu toque ainda existe onde não estás mais, 
Um fantasma quente sobre a pele da memória. 
E eu, refém desse gesto que não se repete, 
Aprendo a conviver com o impossível, 
Como quem respira dentro de um adeus. 
 
Há dias em que a dor se veste de ternura, 
E me engana com lembranças suaves demais. 
Quase acredito que ainda há um nós escondido, 
Mas é só o amor brincando de permanência, 
Num corpo onde já não habita verdade. 
 
Caminho entre o que foi e o que não volta, 
Aprisionado na delicadeza da perda. 
Porque amar, às vezes, é não ter saída, 
É viver na fronteira entre o sonho e o fim, 
Onde o coração insiste em não se libertar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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