Celebro a sala iluminada pelo rumor das perguntas,
Celebro os livros abertos, as vozes distintas, os olhos inquietos,
Celebro o pensamento que atravessa as fronteiras do costume
E não pede licença aos guardiões das velhas certezas.
Vejo o vento passar pelos campos e pelas cidades,
E o reconheço na mente humana quando ela desperta.
Ele sopra sobre o filósofo e sobre a criança,
Sobre o trabalhador, sobre o poeta, sobre o ancião,
Pois nenhuma alma está excluída da grande conversa do mundo.
Eu digo que educar não é erguer muralhas,
Mas caminhar entre multidões de ideias,
Escutando o passado sem se tornar seu prisioneiro,
Acolhendo o futuro sem transformá-lo em ídolo,
Habitando o presente com olhos atentos e coração desperto.
Ó pensamento, companheiro das longas jornadas!
Tu que pertences às estradas, aos rios, às bibliotecas e às estrelas,
Tu que derrubas preconceitos e alargas horizontes,
Tu que tornas cada ser humano maior do que era ontem,
Segue soprando sobre nós tua inquieta liberdade.
E eu vejo mestres e aprendizes caminhando juntos,
Não como donos da verdade, mas como viajantes.
Vejo-os sob o mesmo céu, expostos ao mesmo vento,
Partilhando dúvidas, descobertas, fracassos e esperanças;
E nessa caminhada reconheço a beleza profunda da educação.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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