terça-feira, 8 de setembro de 2026

O educador e o aprendiz

 Eu celebro o educador, e celebro também o aprendiz, 
Celebro a sala iluminada pelo rumor das perguntas, 
Celebro os livros abertos, as vozes distintas, os olhos inquietos, 
Celebro o pensamento que atravessa as fronteiras do costume 
E não pede licença aos guardiões das velhas certezas. 
 
Vejo o vento passar pelos campos e pelas cidades, 
E o reconheço na mente humana quando ela desperta. 
Ele sopra sobre o filósofo e sobre a criança, 
Sobre o trabalhador, sobre o poeta, sobre o ancião, 
Pois nenhuma alma está excluída da grande conversa do mundo. 
 
Eu digo que educar não é erguer muralhas, 
Mas caminhar entre multidões de ideias, 
Escutando o passado sem se tornar seu prisioneiro, 
Acolhendo o futuro sem transformá-lo em ídolo, 
Habitando o presente com olhos atentos e coração desperto. 
 
Ó pensamento, companheiro das longas jornadas! 
Tu que pertences às estradas, aos rios, às bibliotecas e às estrelas, 
Tu que derrubas preconceitos e alargas horizontes, 
Tu que tornas cada ser humano maior do que era ontem, 
Segue soprando sobre nós tua inquieta liberdade. 
 
E eu vejo mestres e aprendizes caminhando juntos, 
Não como donos da verdade, mas como viajantes. 
Vejo-os sob o mesmo céu, expostos ao mesmo vento, 
Partilhando dúvidas, descobertas, fracassos e esperanças; 
E nessa caminhada reconheço a beleza profunda da educação. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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